01X03 - CONHECENDO A TURMA

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— Leve o que quiser, mas, por favor, não me mate! — supliquei, erguendo as mãos em rendição

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— Leve o que quiser, mas, por favor, não me mate! — supliquei, erguendo as mãos em rendição.

Puta merda! Por que nunca me dei ao trabalho de aprender artes marciais? Será que conseguiria assimilar alguma técnica em um minuto? Talvez eu possa derrubá-lo e sair correndo para chamar a polícia... Quem eu quero enganar? Não tenho nem metade da agilidade necessária para isso. Além do mais, estou encurralado contra uma parede, sem nenhuma rota de fuga.

O motoqueiro continuava acelerando a moto no mesmo lugar, sem intenção aparente de avançar. O barulho do motor roncava alto, ecoando na rua deserta. Meu coração batia tão forte que parecia prestes a explodir dentro do peito. Foi então que, do nada, um grupo de garotos apareceu. Eles começaram a rir, apontando para mim como se eu fosse a atração principal de um espetáculo patético.

Entre eles estava Vando, o idiota sem noção que nunca perdia a chance de fazer piadas gordofóbicas. O imbecil segurava o celular na mão, filmando tudo com um sorriso malicioso no rosto. Sua risada exagerada tornava tudo ainda mais humilhante.

— Achei que um cara desse tamanho fosse mais corajoso! Olha só, o 'cabra' quase mijou nas calças! — zombou ele, mostrando o vídeo para os outros.

— Juro que pensei que ele fosse desmaiar ali mesmo — comentou um garoto que eu nunca tinha visto antes.

— Você precisa ser mais valente, seu rolha de poço! — aconselhou Vando, entre uma risada e outra.

Idiota. Babaca. Nojento. Tudo de ruim que existia dentro de mim parecia querer sair de uma vez só. Mas, ao invés de reagir, engoli o ódio e me afastei dali o mais rápido que pude.

Ao chegar em casa, o ambiente estava vazio, silencioso. Ninguém estava por perto. Joguei a mochila em um canto qualquer e fui direto para a cozinha. Peguei um pacote de biscoitos e preparei quatro sanduíches. Comer sempre foi meu refúgio, minha forma de encontrar algum alívio em meio ao caos.

Subi para o quarto, liguei o computador e vi que Ramona já tinha enviado algumas fotos para o meu e-mail. Passei um tempo analisando as imagens, escolhendo quais imprimir. No meio disso, acabei me pegando admirando o Zedu por um longo tempo. Ele era realmente lindo. Suspirei e, sem perceber, adormeci com o notebook ainda sobre a cama.

Amor de PesoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora