"Amor de Peso" é um romance envolvente ambientado na calorosa cidade de Manaus, no Amazonas. A história acompanha as lutas e os triunfos de Yuri, um jovem desajeitado e inseguro que se muda com a família para Manaus. Gay e constantemente alvo de jul...
Engraçado como a vida da gente pode mudar em poucos segundos, uma má decisão nos faz trilhar um caminho inesperado. Lá estava eu, pronto para morrer.
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Nunca senti tanto medo na vida, mas precisei usar o resto de energia que me sobrava para espantar os cachorros. Eles rosnavam e latiam em nossa direção. O Zedu já estava machucado demais, e minha única missão era protegê-lo. Levantei a barra de ferro e balancei para afugentar os animais.
De repente, os dois cachorros se sentaram, e um homem vestindo um uniforme do Corpo de Bombeiros apareceu. Atrás dele, correndo desesperada, estava a tia Olivia. Ela passou pelos cachorros e me deu um forte abraço. Eu não conseguia reagir, não sabia se era uma miragem ou a realidade.
Os pais do Zedu foram até ele, mas ele estava desmaiado. Eu realmente não conseguia falar nada, apenas chorava. Os paramédicos, que vieram com a equipe de resgate, deram mais atenção ao Zedu, afinal, seu estado continuava piorando.
— Meu amor! — disse a titia, me beijando. — Fiquei tão preocupada.
— Tia, desculpa, mas o Richard continua perdido. Não consegui achá-lo. — Expliquei, em prantos, enquanto recebia o abraço da tia Olivia.
— Yuri, o Richard está bem. Ele está em casa com o Carlos e a Giovanna. — Tia Olivia me beijou na testa.
— Eu... eu... fiquei tão preocupado.
— A culpa não foi sua. Vou te levar para casa, e tudo vai ficar bem.
O vento começou a ficar mais forte. Olhei para cima, e um grande helicóptero desceu. O paramédico avisou que o Zedu seria o primeiro a ser levado para o hospital. Eu concordei, pois seu estado estava pior que o meu. Um dos bombeiros me examinou e entregou um pacote de suplementos para eu tomar.
Ainda desacordado, o Zedu foi colocado sobre uma maca, e os médicos aplicaram alguma substância em sua perna ferida. Tudo foi muito rápido; em questão de cinco minutos, o helicóptero já levantava voo em direção ao hospital. Ficamos na clareira: a tia Olivia, alguns bombeiros e eu.
Depois de alguns minutos, outro helicóptero apareceu. De início, fiquei com medo, mas a titia me tranquilizou. Ela explicou sobre meu medo de avião, e o bombeiro que me atendeu entregou uma pílula — com certeza, algum tipo de calmante. Enquanto recolhiam o equipamento usado no resgate, eu olhava para a floresta.
Nunca imaginei ficar perdido dentro da floresta amazônica. Apesar de a área estar localizada dentro da cidade, a mata quase nos matou. Lembrei dos lugares que serviram de abrigo para nós, e lágrimas escorreram pelo meu rosto — um misto de alívio e saudade. Afinal, o Zedu e eu nos declaramos por causa dessa experiência traumatizante.
A equipe nos deu permissão para entrar no helicóptero. Era minha primeira vez. Mesmo nervoso, aproveitei o passeio — talvez fosse o efeito do remédio. Caramba, eu não conseguia nem ouvir meus próprios pensamentos quando o piloto ligou os motores. A tia Olivia tentava dizer alguma coisa, mas eu não entendia. Então, um dos bombeiros pediu para que colocássemos fones de ouvido, pois isso facilitava a comunicação.