"Amor de Peso" é um romance envolvente ambientado na calorosa cidade de Manaus, no Amazonas. A história acompanha as lutas e os triunfos de Yuri, um jovem desajeitado e inseguro que se muda com a família para Manaus. Gay e constantemente alvo de jul...
Que noite espetacular. Tá, eu sei. Não deveria falar sobre certos assuntos com vocês, mas estou feliz. Porquê? Ao meu lado dorme o homem mais lindo do mundo. Estou passando por toda esse pesadelo com a pessoa que mais amo e, de certa forma, isso me dá forças para continuar.
***
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— Zedu, o que a gente fez? — perguntei, preocupado, porque sabia que o sexo poderia acabar com a minha amizade com ele.
— Você está arrependido? — ele respondeu com outra pergunta, algo que não é indicado quando a outra pessoa está prestes a ter um ataque de pânico.
— A Alicia...
— Eu não estou mais com a Alicia. Terminamos ontem. Isso me rendeu um copo de refrigerante light no rosto. A sensação não é nada boa. E você e o Diogo?
Sim. O Diogo e eu. De fato, nunca namoramos, mas já estávamos juntos há quatro meses. O que a recém-solteirice do Zedu representava? Eu deveria ter esperanças de ter algo com ele? Tantas perguntas flutuavam na minha cabeça, ainda mais agora, quando nossa prioridade era a sobrevivência.
Naquela noite, ficamos em silêncio, apenas nos acariciando. Os sons da floresta eram as únicas coisas que quebravam a quietude. O Zedu estava deitado no meu peito, e aproveitei para acariciar seus cabelos negros. De repente, a chuva voltou a cair e o frio se intensificou.
Caramba, entre todos os dias em que poderia fazer frio em Manaus, os deuses do tempo escolheram justamente esse? O Zedu perguntou se eu estava bem. Respondi que sim. Ele beijou minha bochecha e acariciou meu rosto.
— Você está tão calado. Eu te machuquei? — Zedu quis saber, quebrando o silêncio.
— Não é isso. É que... você...
— Eu?
— Desde sempre, eu quis ficar com você. Mas parecia tão impossível.
— O quê?
— O fato de nós dois ficarmos juntos — respondi, tentando ser o mais claro possível.
— Yuri, desculpa. Eu sinto o mesmo por você, mas sempre tive medo de ser...
— De ser? — perguntei, mesmo já sabendo qual seria a resposta dele.
— Tenho vergonha de ser gay — a voz de Zedu soou triste e baixa. Eu não imaginava que uma pessoa tão alegre como ele passava por uma tempestade tão forte.
— Não é fácil, mas eu prefiro ser provocado todos os dias pelo Lucas, pelo Vando e pelos outros do que esconder quem realmente sou. Aprendi isso da pior maneira.
No meio da nossa conversa, o vento começou a soprar mais forte, e a água escorria por todos os lados. A gente se abraçou com mais força, na esperança de espantar o frio que nos atingia. Sério, não imagino passar por uma desventura dessas com outra pessoa.