NATHAN
Eu já tava com uma sensação ruim desde o momento em que Mabel veio me pedir o moletom. E foi na hora que eu vi minha irmã entrando, que entendi tudo...
Algo aconteceu mesmo... Algo que tirou toda a coragem que ela tinha construído hoje mais cedo...
Pensei em ir até ela, falar alguma coisa, mas nada vinha na mente. Foi então que no final da aula, Verônica abriu a boca.
O jeito que ela olhou pra Mariah… eu conheço aquele olhar. O tipo de olhar que ela usa quando quer destruir alguém pra se sentir maior.
E quando Mariah explodiu, eu não fiquei bravo. Eu fiquei aliviado. Era pra isso ter acontecido muito antes.
Mas quando ela saiu da sala daquele jeito — com raiva, com dor, com o moletom puxado até o queixo — eu senti meu peito apertar. Eu me levantei no impulso, pronto pra ir atrás dela, cuidar, entender, estar ali…
Só que Aiden saiu primeiro.
E eu parei.
Travei.
Meu estômago virou.
Por que ele foi atrás dela?
Por quê?
Eu fechei a mão num punho e respirei fundo, tentando decidir se eu ia atrás ou se a encontrava em casa. Só que um segundo depois, já não dava mais pra ver nenhum dos dois no corredor.
Droga.
Peguei minhas coisas e saí da escola o mais rápido que consegui, fui até o carro com o coração batendo estranho — preocupado, irritado, com medo de Mariah estar sozinha, com medo dela estar com ele.
Entrei no carro e fui pelo caminho de casa, meio que no automático. Eu conheço ela. Eu sei por onde ela anda quando… quer sumir um pouco.
E então, alguns quarteirões depois, eu a vi.
Sozinha.
Andando devagar.
Com o capuz quase cobrindo o rosto.
E, quando o carro se aproximou, ela levantou a cabeça por um segundo.
Foi nesse segundo que eu vi.
O rosto dela molhado.
Os olhos vermelhos.
A respiração curta.
Eu nem pensei. Encostei o carro ao lado dela e abaixei o vidro.
— Entra, Mariah.
Ela nem olhou direito. Só balançou a cabeça, rápido.
— Nathan, por favor… só me deixa em paz. — a voz dela quebrou no meio, e aquilo me destruiu por dentro.
— Não vou deixar você andando assim sozinha.
Ela deu mais passos pra longe.
Eu senti meu peito subir em um impulso de raiva e desespero ao mesmo tempo.
Então eu fiz algo que talvez não devesse, mas que eu faria de novo.
Eu estacionei o carro no meio da rua, sem nem pensar. Saí quase correndo e alcancei ela antes que se afastasse mais.
— Mariah!
Ela virou rápido, olhos ainda mais vermelhos que antes, respirando curto.
Quando tentei segurar seu braço, ela puxou com força.
— Me solta, Nathan.
Era mais um reflexo do que um pedido.
Ela queria se afastar do mundo inteiro — inclusive de mim.
Mas eu não deixei.
Segurei o braço dela de novo, firme, mas com cuidado.
— Não. Não vou deixar você ir assim.
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O Idiota da Minha Sala
Novela JuvenilMariah Dollan sempre soube que sua vida estava longe de ser perfeita. Abandonada pelo pai que voltou para o Brasil quando ainda era pequena, ela cresceu apenas com a mãe e os irmãos em Los Angeles, tentando se manter forte em meio às expectativas de...
