27° capítulo

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NATHAN

Eu já tava com uma sensação ruim desde o momento em que Mabel veio me pedir o moletom. E foi na hora que eu vi minha irmã entrando, que entendi tudo...

Algo aconteceu mesmo... Algo que tirou toda a coragem que ela tinha construído hoje mais cedo...

Pensei em ir até ela, falar alguma coisa, mas nada vinha na mente. Foi então que no final da aula, Verônica abriu a boca.

O jeito que ela olhou pra Mariah… eu conheço aquele olhar. O tipo de olhar que ela usa quando quer destruir alguém pra se sentir maior.

E quando Mariah explodiu, eu não fiquei bravo. Eu fiquei aliviado. Era pra isso ter acontecido muito antes.

Mas quando ela saiu da sala daquele jeito — com raiva, com dor, com o moletom puxado até o queixo — eu senti meu peito apertar. Eu me levantei no impulso, pronto pra ir atrás dela, cuidar, entender, estar ali…

Só que Aiden saiu primeiro.

E eu parei.
Travei.
Meu estômago virou.

Por que ele foi atrás dela?
Por quê?

Eu fechei a mão num punho e respirei fundo, tentando decidir se eu ia atrás ou se a encontrava em casa. Só que um segundo depois, já não dava mais pra ver nenhum dos dois no corredor.

Droga.

Peguei minhas coisas e saí da escola o mais rápido que consegui, fui até o carro com o coração batendo estranho — preocupado, irritado, com medo de Mariah estar sozinha, com medo dela estar com ele.

Entrei no carro e fui pelo caminho de casa, meio que no automático. Eu conheço ela. Eu sei por onde ela anda quando… quer sumir um pouco.

E então, alguns quarteirões depois, eu a vi.

Sozinha.
Andando devagar.
Com o capuz quase cobrindo o rosto.

E, quando o carro se aproximou, ela levantou a cabeça por um segundo.

Foi nesse segundo que eu vi.

O rosto dela molhado.
Os olhos vermelhos.
A respiração curta.

Eu nem pensei. Encostei o carro ao lado dela e abaixei o vidro.

— Entra, Mariah.

Ela nem olhou direito. Só balançou a cabeça, rápido.

— Nathan, por favor… só me deixa em paz. — a voz dela quebrou no meio, e aquilo me destruiu por dentro.

— Não vou deixar você andando assim sozinha.

Ela deu mais passos pra longe.
Eu senti meu peito subir em um impulso de raiva e desespero ao mesmo tempo.

Então eu fiz algo que talvez não devesse, mas que eu faria de novo.

Eu estacionei o carro no meio da rua, sem nem pensar. Saí quase correndo e alcancei ela antes que se afastasse mais.

— Mariah!

Ela virou rápido, olhos ainda mais vermelhos que antes, respirando curto.
Quando tentei segurar seu braço, ela puxou com força.

— Me solta, Nathan.

Era mais um reflexo do que um pedido.
Ela queria se afastar do mundo inteiro — inclusive de mim.

Mas eu não deixei.

Segurei o braço dela de novo, firme, mas com cuidado.

— Não. Não vou deixar você ir assim.

O Idiota da Minha Sala Onde histórias criam vida. Descubra agora