• Prólogo

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Sem revisão!

– Negrinha! Sua feiosa!

– Ridícula!

– Olha a cor da pele dela. Hahaha!

– Nem seus pais te quiseram!

– Olha lá,a bebezinha vai chorar!

– Hahaha! Olha o cabelo dela! Que nojo!

Levo minhas pequenas mãos aos ouvidos,tampando-os e descendo as escadas correndo,indo até o quintal dos fundos.

Preciso fugir...

Chego no jardim, encosto-me na parede próximo ao portão, e começo a chorar.

Por que elas são tão más comigo?

Eu nunca fiz nada para elas...

Como eu queria que isso acabasse. Desde que cheguei aqui,essas meninas ficam rindo de mim,pela minha cor e meu cabelo. Só porque sou diferente delas...

Como dói...

Queria ter nascido diferente...

Ouço um barulho próximo de mim. Ao olhar,noto um menino de preto,encapuzado,sentado num banco,jogando pedrinhas na pequena fonte que tinha ali no orfanato. Seco ao lágrimas e vou até ele.

– Oi...

Ele continua a jogar pedrinhas na fonte,sem ao menos olhar para mim. Sento no banco,ao lado dele,com uma distância considerável.

Ele dá medo...

Não consigo ver o rosto dele...

– Você fala? - pergunto.

E ele continua jogando pedrinhas.

– Sabia que não pode ficar jogando pedrinhas na fonte? As freiras vão ficar bravas com a gente.

– Você não consegue calar a boca não?!

Olho espantada para ele. As freiras eram responsáveis pelo orfanato onde moro. Elas eram legais,quando não fazíamos nada.

– Você fala...

– É óbvio que falo.

– Nunca vi você falar. Não tá com calor com essa roupa não? Aqui tá quente.

O sol estava queimando,eram 13:30 da tarde. Já estava com medo dele passar mal.

– Tô legal. Agora dá para você ficar calada?

– Tá bom.

Ele continua jogando pedrinhas,enquanto eu começo a balançar as minhas pernas no banco. Por ser bem pequenininha,meus pés não tocavam o chão.

– Você não vai rir de mim? - pergunto,começando a ficar com medo.

– Por que eu vou rir de você?

– Olha para mim. Será que ainda não percebeu?

E pela primeira vez,ele dirige seu olhar para mim. Um intenso olhar verde,era notável por debaixo do capuz. Seus olhos eram diferentes. Pareciam únicos. Eram verdes como as folhas,e possuíam um brilho natural.

– Estou olhando e ainda não vejo nada.

– Seus olhos são lindos.

Ele parece assustado com o que eu disse e se vira de novo,me ignorando.

– Por que você tava chorando? - ele pergunta.

– Porque meu coração tava doendo.

– Mentirosa, coração não dói.

– Você é estranho sabia?- digo,começando a rir.

– Tô sabendo. Todos dizem isso.

– Eu gosto. Meu nome é Melany,mas pode me chamar de Mel.

– Legal.

– E o seu? Não vai falar?

– Para quê?

– Sei lá. Amigos sabem os nomes.

– E quem disse que somos amigos?

– Você está sendo legal comigo.

– Eu não estou sendo legal. Estou tentando te mandar embora até agora,só que você não sai.

– Me diz o seu nome.

– Não! Larga de ser chata garota. Vai brincar com as suas bonecas e me deixa em paz.

– Só vou sair quando você falar o seu nome.

– Eu não vou falar.

– Então não vou sair.

– Sua chata.

– Seu chato. É só falar seu nome.

– Você sempre foi assim? Insuportável?

– Não sei. Não converso com ninguém além da irmã Maria.

– Não sei como essa freira te suporta.

– Eu sou legal. Você que é um chato. Mas não vou mais ficar aqui,já que sou chata. Tchau.

E quando desço do banco,com um saltinho,ouço bem baixo:

– Lucca.

– Você falou comigo?

– Meu nome. Lucca.

– Seu nome é lindo. É um prazer te conhecer Lucca. Seremos grandes amigos.

Digo,mostrando-lhe meu melhor sorriso,após meu choro.

Ele ergue seu olhar para mim,e balançando a cabeça em negação,diz:

– Espero sinceramente,que não.

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Gente,essa é a minha nova história. Ainda não tenho dias certos para as postagens,mas estou pensando em postar 2 capítulos por semana.
Minha primeira história de Romance,e espero que estejam gostando.

Até o próximo capítulo... 😘

Mesmo Sem EstarOnde histórias criam vida. Descubra agora