Eu não sei nenhuma das respostas,
Logo eu, que estudo tanto.
Eu não faço ideia de como preencher
Esse gabarito
Sem número definido
De questões.
Eu não sei como dormir.
Eu não sei como me portar.
Eu não sei como escolher.
Eu não sei como viver.
Sou repleta de incertezas,
De falácias e de achismos.
E nessa minha mania
De inventar teorias
Sem nenhum embasamento.
Acredito que viver seja mesmo
Não saber.
Decidi fechar os olhos
E me jogar desse precipício
Sem ter ideia se há uma corda.
Decidi que não vale a pena
Passar as noites em claro
Procurando por respostas
Que nunca vou ter.
Entendi que, às vezes,
É preciso sair de pijamas,
Receber cusparadas de um mendigo,
Cantar com desconhecidos
E gozar naquele banheiro do 8º andar.
Entendi que, às vezes, eu consigo
Não pensar.
Ah, como é bom ter o peito cheio
E a cabeça vazia.
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Avidez
PoesiaApenas uma vontade sôfrega de escrever. Capa e ilustrações da mesma por Cassy Frost | Niffler Covers
