Capítulo 44

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Maurício:

Aproveitei aquela tarde para resolver nossa mudança para o novo hotel.
Sabia que se quisesse o mínimo de paz ao longo do resto da viagem ao lado de Sarah, não seria ali o lugar para ter isso, não com amigos capangas do ex dela a rodeando como se fosse uma criminosa que precisasse  ser observada a todo mundo momento.
Depois de tudo combinado, a chamei para nos mudarmos e depois dar uma volta na praia.
O clima entre nós estava muito pesado e eu sabia que deveria fazer algo para contornar a situação de alguma forma.
Quando chegamos ao novo hotel, Sarah pareceu maravilhada com a beleza e comodidade do lugar. Dessa vez, ficaríamos em quartos separados.
- Tem certeza que não prefere que eu fique com você? - Ela indagou quando soube. Me olhou com feição de quem deduziu que a interpretei mal pela pergunta. - Você sabe... para te ajudar  com...
- Não se preocupe. Vou ficar bem. Celulares existem antes de mais nada, para serem usados em emergências.
Ela concordou, sem muita convicção.
Guardamos nossas coisas, pegamos o carro e nos dirigimos até a praia.
Ao chegar, logo notei algo muito incomum. A temperatura do ar havia mudado drasticamente se comparado a como estava quando saímos do hotel e a praia se encontrava mais vazia do que de costume para aquele horário. As poucas pessoas que ali ainda estavam, pareciam se preparar para sair.
Colocamos toalhas sobre a areia para nos sentarmos e quando o fizemos, olhei ao redor e não encontrei mais ninguém. Mesmo assim, nenhum de nós comentamos esse fato.
- Nossa. Que frio de repente - Sarah diz, abraçando os braços.
- Pode ser porque uma chuva noturna deve estar chegando - Eu disse, observando as águas agitadas do mar.
Ficamos em silêncio, sentindo a brisa soprar em nossos rostos, enquanto o sol se preparava para ir embora com grande majestade e beleza.
- Como chegamos até aqui? - Quebrei o silêncio.
Senti o olhar de desentendimento de Sarah sobre mim, mas não lhe retribui o ato.
- Como assim?
- Tínhamos vidas normais. Eu tinha uma vida normal. Duas pernas que funcionavam muito bem. Um trabalho que era capaz de me fazer esquecer por várias horas o quão vazio eu era por dentro.  - Novamente Sarah me olhou e eu sabia que dessa vez ela continuaria assim até que eu parasse de falar. - E agora estou aqui, passando pela última coisa que sonhei viver nesse mundo, depender de alguém pra tudo, até para vestir uma simples roupa. E a vida deu muitas voltas para você também. No fim, estamos nós dois aqui e é por isso que pergunto, como isso aconteceu? Como deixamos tantas coisas acontecerem bem debaixo de nossos narizes? Será que realmente tivemos o mérito da escolha em algum momento ou simplesmente fomos atacados pelo que o destino reservou para nós?
Inclino meu rosto para o lado dela, que me olhava agora não como se estivesse atenta às minhas palavras mas sim como se tentasse ler minha alma. Começamos a nos aproximar de forma lenta e natural, como se qualquer movimento brusco fosse nos tirar daquela magia que a natureza parecera nos proporcionar.
Tudo simplesmente congelou ao nosso redor quando ouvimos uma onda bater na areia da praia com brutalidade e força.
E mesmo com a grande distância que estávamos da água, fomos alcançados até as pernas. O susto de verdade começou quando avistamos uma  onda gigante se formando no mar e se aproximando freneticamente da praia novamente.
- Temos que sair daqui agora! - Sarah se levantou com pressa e pelo modo como me olhou, percebi que por uma fração de tempo ela realmente acreditou que eu fosse levantar, lhe dar as mãos e sair correndo ao seu lado dali. Quando avistou a cadeira de rodas atrás de mim foi que a ficha realmente caiu e ela se desesperou.
Normalmente nosso motorista estaria nos esperando para me ajudar com este processo, mas nós dois sabíamos que ele já tinha ido embora.  - Aaah não!!!
Sarah gritou ao se dar conta de tudo isto sem que eu lhe dissesse absolutamente nada.
A onda agora estava perigosamente perto da praia.
Então agilmente, Sarah posicionou a cadeira para o mais próximo de mim e começou a me segurar pelos braços na tentativa de erguer meu corpo, sabia que ela estava ultrapassando todos os limites de sua força.
- Vamos Maurício. Tente me ajudar!
Como resposta, investi toda força de meus membros superiores para impulsionar o levantar e me apoiar nela, quando finalmente estava de pé e prestes a sentar na cadeira, a mesma pendeu para trás.
- Droga. Droga. Droga!
Sarah esbravejou porque sabia que seria impossível me segurar e levantar a cadeira ao mesmo tempo. Começou a gritar por socorro, porém não havia nada ali além de nós, um céu nublado, uma praia imensa e uma onda que estava prestes a nos tirar a vida.
A onda estava a míseros centímetros da areia e parecia aumentar de tamanho a cada movimento para frente que fazia.
- Ei, olha pra mim - A chamei e mesmo relutante ela me olhou, estava soluçando pelo medo - Me deixe aqui.
O que eu estava dizendo?
- O que?
- Vai embora, me deixe aqui, sabemos que não dá pra salvar os dois mas se pelo menos um de nós sobrevivermos já será algo. Então me deixe aqui e vá.
Ela me olhou completamente atordoada.
- Corra Sarah!!

Oi galera. Tudo bem? Como prometi, aqui estou, voltei com muita animação para escrever e como disse, pretendo escrever toda semana, só vou me programar direitinho para saber os dias. Espero que tenham gostado e se sim, deixem suas estrelas e comentários, isso ajuda muito a me incentivar.
Obrigada a você que chegou até aqui.
Boa noite. Fiquem com Deus. Mil beijos. 😘😘

Seu Amor, Meu Bem MaiorOnde histórias criam vida. Descubra agora