Capítulo 8 - Os Suspeitos

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Capitulo 8 –

Eu obviamente não sou uma boa Sherlock Holmes.

Nove garotos da minha sala de aula do ensino médio fizeram formatura. Temos 32, da escola toda, cujos as fotos aparecem no final do álbum. Cinco dos garotos da minha sala aparecem em uma foto de formatura em que eu estou.

Conclui que, ele tinha que ter uma foto pelo menos próximo de mim, pois do contrário eu não ia aparecer no álbum dele. Eu apareço ao lado de um garoto na foto do brinde. Tem mais três perto, na mesma foto. Em outra, estou sentada assistindo a entrega dos diplomas. Hely, eu e um garoto sorrimos pra foto. Outro garoto aparece comigo durante a valsa. Mas é Henry e não sei se ele conta. Ele namorava Hely. Tudo bem, não na época da escola.

Mas daí contando que tenho cinco opções, menos Henry e menos um garoto que eu acho que se chamava Robinson e era gay, me restam 3 garotos. Nem um deles parece interessado em mim nas fotos em que aparece. Eu realmente não sei o que pensar.


Eu pego a terceira carta pra ler. Me deito no chão do quarto, com um travesseiro na cabeça e Bowie na barriga. Começo a ler em voz alta pra que ele também escute, porque ele parece interessado nesse momento que parece ser o ápice da minha vida amorosa.


"03 de janeiro, 2017"

Enna, a vida é mesmo coisa de maluco. Se você soubesse o que aconteceu no ano novo!

Eu estava ridiculamente perto de você e eu juro quase enlouqueci com o sorriso que você me deu enquanto mexia no cabelo. Você não estava toda de branco. Usava Blusa azul e saia jeans. Eu tentei ir falar com você, mas então lá estava a chata da Hely e eu não gosto muito do jeito dela. Outra vez fiquei te olhando de longe.

Um dos meus amigos disse pra eu falar com você. E Enna, eu juro que eu ia. Daí você estava conversando com um garoto, e Hely veio falar comigo. Ela disse que lembrou de mim. Da escola.

Nesse exato momento, deu meia-noite.

Você estava abraçada ao cara. E sua irmã me beijou.

Sinceramente, nada podia ter me deixado mais triste que isso. O que a fez querer me beijar eu não sei. Eu só sei que tudo o que eu podia pensar era que era a irmã errada que estava comigo. Eu afastei ela de mim e então ela me beijou e me deu boa noite e "Feliz Ano Novo". Mas as coisas ruins servem para algo bom.

Eu falei com ela ontem no Facebook. E ela até que foi gentil.

Ela me passou seu número. Acabei pedindo ele, com uma desculpa qualquer.

Hoje ela disse que apesar do beijo ter sido legal, não vai dar pra gente se ver de novo. Ela tá saindo com alguém ou algo assim. Foi ridículo, mas tá bom.

Não achei o beijo legal, nem queria vê-la de novo. Ela bateu o dente no meu. Mas pelo menos eu consegui seu número. Começo o ano com a perspectiva de poder te mandar uma mensagem. Pode ser que esse seja um ano bom.

Quem sabe é nosso ano de sorte?"

A carta é de pouco mais de um ano atrás. Eu não sei se devo ficar feliz por alguém que está a tanto tempo atrás de mim; ficar surpresa que ele não tenha gostado de ficar com Hely; Sentir alivio por saber que não é Henry ou sentir medo por essa pessoa ter um discurso com relação a mim que parece meio obsessivo.

Henry sempre gostou de Hely. E ele estava com a gente nos dois últimos Réveillon.

No primeiro como meu amigo. Sem combinar nem nada Hely e eu esbarramos com ele perto do palco de shows no centro da cidade, de onde seriam lançados os fogos de artificio. Nessa época dava pra ver Hely e ele flertando. O cara que essa pessoa diz que me viu abraçar é Henry. Ele e Hely se beijaram ao nascer do sol, mas eu não soube que ela ficou com outro garoto nessa noite.

Talvez ela não tenha dito por que dois ou três dias depois eles começaram a sair. Sair de verdade. Um mês e algum tempo depois, eles namoraram. E bom, a vida de Hely não vem ao caso.

Eu não lembro de sorrir pra ninguém.

Pego o álbum. E levo até o quarto de Hely de volta. Ela está terminando sua faxina.

– O que você quer me contar Enna?

– Nada – digo. Mas estou quase gritando pra que ela por favor me diga com quem ficou no réveillon retrasado.

– Uhum – ela diz. Eu estico o álbum e ela pega pra guardá-lo de volta. Meu celular começa a tocar nesse momento, mas eu não conheço o número. Fico em dúvida se atendo ou não, até que Hely me cutuca na costela.

– A pessoa que está te ligando por acaso é a razão desse sorrisinho é?

– Número desconhecido – dou de ombros, recusando a chamada.

Hely continua me olhando como se desconfiasse de algo. Eu volto ao meu quarto e me deito no carpete com Bowie. Minha memória é uma droga. Mas quero muito saber quem é esse garoto.

Meu celular toca de novo.

Eu atendo. Dessa vez, ao primeiro toque.

– Alô, Enna?

– Sou eu. Quem fala?

– Ah – alguém diz feliz do outro lado – Estou feliz que não tenha mudado de número.

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