Convidar meu pai para o Natal foi a melhor ideia que pude ter.
Ele chega a Londres no dia 24, durante a primeira nevasca do ano. Uma camada fina de neve que mal se acumulava nos cantos antes de derreter, mas com os ventos, causava uma sensação muito gelada. As primeiras palavras dele em território inglês são literalmente:
–Caralho, garota. Você entrou mesmo numa fria.
Eu caio na gargalhada, é obvio. Depois abraço seu tronco robusto com força, como fazia quando tinha dez anos de idade, mas nós continuamos gargalhando por bons minutos sem conseguir falar mais nada. Nosso censo de humor tinha as mesmas qualidades, e os mesmos defeitos.
–Você passou o voo todo pensando nisso? – pergunto, implicando.
–Que nada, sou um talento nato. – ele ajeita o casaco de couro que estava usando, puxando-o para mais perto do corpo.
É estranho vê-lo vestido desse jeito, pra quem está acostumada a um pai de bermuda, ombros descobertos, e areia nos cabelos. Mas seu espírito surfista ainda está totalmente aqui, é impossível não notar.
Nós voltamos para o meu apartamento em um clássico taxi londrino, que meu pai acha "maneiríssimo".
Propus que trocássemos de loft para um lugar maior, e com dois quartos, porque o meu tinha apenas uma cozinha apertada, uma mini-sala e a suíte, com apenas uma cama larga. Mas papai nega dizendo que vai ficar bem no sofá, e sei que ele realmente tem uma coisa por sofás, então acabo concordando.
Apresento minha moradia minúscula em menos de dois minutos, e logo depois ele decide tomar banho para tentar "esquentar os ossos", como disse. E enquanto isso, eu vou para a cozinha terminar o jantar que estava preparando antes de ir busca-lo.
O homem parrudo deixa o banheiro de moletom e meias descombinadas coloridas, que me fazer rir internamente.
–Lottie, eu poderia sentir o cheiro do seu espaguete da Califórnia. – ele entra na cozinha sorridente, e rouba um pouco de molho da panela.
–Não é um clássico para a ceia de Natal, mas resolvi tentar já que é nossa comida favorita.
–Eu comeria qualquer parada agora, estou verde de fome. – me conta.
–Vai ficar pronto daqui a pouquinho.
–Enquanto isso, cadê aquele vinho que você prometeu?
Eu abro um sorriso, pego a garrafa guardada no balcão, e os dois únicos copos que tinha.
–Eu não tenho taças, nem nada assim. – me desculpo.
–E eu não sou um maroleiro fresco, relaxa. – ele brinca, enchendo os copos sem se importar.
Minutos depois estávamos ocupados demais comendo para conversar, então passamos o jantar em silêncio. Logo depois que o macarrão acabou eu deixo os pratos na pia, e meu pai vai para a sala, onde coloca música para tocar.
–Somos obrigados a ouvir Beatles, por estar ilha deles? – ele debocha, enquanto ouvimos AC/DC.
–Espero que a polícia não apareça aqui por isso, Sr. Brent. – entro na brincadeira. – Vou colocar a culpa em você.
–Deportado no meu primeiro dia, que história para contar. – ele ri, tomando mas um gole de vinho.
–Como estão as coisas em casa? – pergunto, mudando de assunto.
–Eu encontrei uma tartaruga machucada na praia semana passada, estava cuidando dela esse tempo todo antes de devolvê-la para casa. Deixei ela com Gabe espero que ele cuide bem dela, me apeguei no bichinho.
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More - Luke Hemmings
FanfictionIf me and you are living in the same place Why do we feel alone?! A house that's full of everything we wanted But it's an empty home. Why can't we choose our emotion? 'Cause we could feel something's broken And I can't stay without hoping We'll neve...
