Quietude

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E eu achava que a quietude fosse me acalmar
Talvez a solidão conseguisse me alegrar
Fazer algo para que quebre minha monotonia
Fazer do silêncio, algo para quebrar minha melancolia
Mas disso, nada adiantou
Talvez, agora, tudo o que me resta é a poesia?

Tenho um intrépido medo de perder-me por entre o silêncio
A quietude é cada vez mais forte, aqui dentro
E aqui fora também!
E eu que tanto almejava a solidão
Hoje entristeço-me por tê-la...
Vou me acostumar...
Vou.

A gritaria cresce aos montes
E ninguém percebe o quão incomodo é
Tudo bem! Eu posso até ser chato
Ranzinza e irritado
Mas isso me magoa
Me deixa à toa
Eu não gosto de estar à mercê do nada
Não gosto, não
Ó, minha solidão.

Hei de ficar parado
Esperar tudo mudar aos poucos
Parar de vez, de ser tolo
Já que tinha eu, a velha esperança de manter-me só
Pois de mim, já basta que sintam dó
Eu sinto tudo isso
E sinto a falta de não-sei-o-quê
Que minha quietude seja eterna
E meus olhos possam te encantar novamente...

Fico tão só
De um jeito
estranho
Não estou
sozinho
Só estou
comigo.

Uma flor rompe o meu crânio Onde histórias criam vida. Descubra agora