P.o.v Perth
Quando eu ouvi a notícia de que havia passado no teste e recebido o papel de Ae, meu coração quase saiu pela boca. Eu achava que isso seria impossível e agora aqui estou eu, juntamente com meus colegas, esperando a chegada do diretor em uma sala gigante, cheia de barras de apoio e espelhos. Apesar da minha alegria, o medo dentro de mim é totalmente incontestável. Eu sinto como se cada célula do meu corpo esteja prestes a se desintegrar, minhas mãos estão suando e minhas pernas tremem tanto que eu quase não sou capaz de me manter de pé. Eu observo meus colegas conversando e brincando, e dois homens mais distantes que conversam com quem parecem ser os seus gerentes. Um deles sorria como se não houvesse mais ninguém além dos dois no local e o outro só acenava com a cabeça enquanto conversava com o moço ao seu lado. Qual deles será meu companheiro de cena?
O diretor surge de uma porta de vidro, segurando vários scripts em suas mãos. Ele os larga em uma mesa no canto da sala e aguarda até que todos percebam sua presença, sem falar absolutamente nada. Por que ele não podia simplesmente chamar a nossa atenção? Logo, todos percebem que ele está presente e começam a se acalmar. Seu olhar não muda nem mesmo por um segundo, parece frio, calculista e observador. Logo que todos estão quietos, ele começa a falar.
— Primeiramente, parabéns a todos que passaram. Cada um que chegou até aqui, chegou por um motivo. Nenhum de vocês foi selecionado de forma aleatória. Para quem não me conhece, eu me chamo Alonew e serei o diretor de vocês durante esse ano de gravações. Eu já participei de algumas novelas antes de Love by Chance, mas nenhuma era especificamente minha. Agora que consegui concretizar meu sonho de dirigir minha própria série, eu quero que ela saia o melhor que eu puder. Se possível, perfeita. De qualquer modo, eu quero que todos se esforcem tanto quanto eu. A partir de agora, seremos uma família. Todos precisarão colaborar para a união entre nós e para o sucesso desse projeto. Alguma pergunta até aqui? — Visto que ninguém falou nada, ele continuou.
— Ótimo. Os ensaios precisam ocorrer durante 3h diárias, exceto para Perth e Saint. Esses precisarão ensaiar em horário integral. Por isso, eu preciso de vocês dois diariamente aqui depois dos compromissos estudantis de vocês. Pelo menos nos primeiros dois meses.
Ele apontou para mim e para meu companheiro. Quando eu vi quem ele era, algo me deixou levemente desconfortável. Era o garoto que sorria incessantemente antes. Ele estava de pé no canto direito da sala, encostado na parede e vestindo roupas muito elegantes. De calça e camisa social, tudo era branco. A única coisa que destoava, era seu casaco azul escuro com alguns detalhes em preto. Sua figura alta e alabastrina tinha algo que me intimidava. Ele lentamente virou seu olhar para mim, e era completamente indecifrável. Nem que eu me esforçasse e colocasse toda a minha dedicação nisso, eu seria capaz de sequer imaginar o que ele estava pensando. Quando seu olhar encontrou com o meu, ele deu um sorriso largo, acenou a cabeça e sussurrou um "olá". Apesar de eu estar me sentindo aterrorizado com toda essa situação, aquele gesto me deixou levemente tranquilizado. O diretor voltou a falar.
— Para o restante de vocês, o ensaio inicia às 14h de segunda a sexta... Bom, acho que a princípio, era isso que eu tinha a dizer. Novamente, nenhuma pergunta? — O diretor estava prestes a falar quando eu vi o homem esguio e alvo se desencostar lentamente da parede e pedir permissão para falar. O diretor assentiu com a cabeça.
— Eu e meu companheiro... — Ele olhou para mim novamente e sorriu.— Temos hora para acabar nosso ensaio? E quanto aos finais de semana?
— Sobre isso, eu diria que vocês não têm hora para acabar. Vai depender do dia, das atribuições e do seu próprio desempenho. Inclusive, a rotina de ensaio de ambos serão diferente dos demais. Sobre os finais de semana de vocês dois, falaremos depois. Agora, eu gostaria que cada um se apresentasse. Falasse aos colegas o seu nome e quem você será. Se possível, caracterize um pouco para os demais. Creio que até agora, cada um de vocês só conhece o próprio personagem, por isso é interessante que os outros pelo menos imaginem. Começaremos por aqui. — O diretor apontou para o outro homem que eu não conhecia. O olhar dele parecia calmo, suas roupas eram simples mas muito bonitas também. Era quase uma roupa esportiva, mas era tão elegante que passei a pensar que meu jeans rasgado e minha camiseta branca com alguns dizeres que eu desconhecia não eram bons o suficiente para vestir nos ensaios, visto que todos estavam tão arrumados...
O moço sorriu e assentiu. Tão logo quanto acenou com a cabeça, ele já se apresentou.
— Eu sou Mean. Meu papel é o Tin. Pelo que sei dele, é um garoto amargurado com... — P'Alonew mexeu em seus scripts e seleciou um, entregando—o ao garoto que o agradeceu com educação. — Continuando, é um garoto muito amargurado com sua vida pois tem muitos traumas familiares. Por causa disso, ele odeia quase todos que estão ao seu redor e seu único amigo é o Pete.
O diretor passou para o mais próximo de Mean, até que todos já tinham se apresentado e recebido seus roteiros, que já estavam grifados com as falas de cada um. Ao terminar, ele anunciou que teríamos um breve intervalo e que podíamos usar esse tempo para conhecermos nossos colegas. Ele pediu que nos esforçássemos para criar laços com eles, visto que estaríamos juntos por quase um ano, por isso, sermos próximos mesmo que não fossemos contracenar muito, seria de ajuda para nosso conforto pessoal. Assim que terminou de falar, ele saiu da sala. Eu não sabia se estava com mais medo do meu colega desconhecido, dessa experiência completamente nova que eu teria que passar com ele ou do próprio diretor. Por que ele parecia tão gélido?
— Ai'Perth, que cara é essa? — Foi Mark que me tirou do meu devaneio. — Eu já reparei que você não está confortável desde que chegamos.
Eu mal tive tempo de responder e P'Plan já estava enganchado em meu pescoço.
— Não seja assim, N'Perth. Não faça essa cara. Olha ali no espelho como você fica feio com essa cara. — Ele apontou para o espelho. Ao invés de olhar para a minha cara, eu observei meu colega de cena que me olhava, rindo. Comecei a ficar preocupado que ele sentisse dor na mandíbula, ele passa o tempo todo com aquela boca esticada.
— P'Plan, Ai'Mark, vocês repararam que o P'Saint está sempre sorrindo? — Comentei, sussurrando com eles. P'Plan soltou meu pescoço. — Desde que o olhei a primeira vez, ele ainda não parou de sorrir.
— Eu reparei. Tão diferente do que ele apresentou o personagem dele, certo? Quieto, brando. Ele está sempre sorrindo e fala muito. Ele parece ser uma boa pessoa. Engraçado, completamente o oposto do seu personagem, porém uma boa pessoa. — Falou Mark e eu assenti. Olhando por esse lado, ele realmente parece ser alguém muito divertido. Mas e se eu não me der bem com ele, como vamos trabalhar assim? Eu quero ser mais próximo a ele, mas tem algo que me deixa apreensivo sobre isso.
Logo que voltei meu olhar para Saint, ele conversava com Mean enquanto continuava sorrindo. De longe pude observar que eles estavam falando de exercícios, mostrando seus músculos e fazendo gestos que exemplificavam suas atitudes. Eu não pude evitar soltar um riso fraco, pensando nesse excesso. É engraçado, mas é realmente necessário? Assim que eu termino meu pensamento e retorno minha visão para os dois, eu noto que P'Saint está vindo na minha direção. O que eu devo fazer? Como devo reagir? Oh não, por que estou tão nervoso?
— N'Perth, certo? Eu sou Saint, prazer. Vou fazer o Pete. Logo, acho que teremos muito pela frente, não é? — ele continua com seu largo sorriso, que parecia esbanjar cortesia. Eu achei burlesco e a vontade de dizer que já sabia pois ele já tinha se apresentado, era grande. Mas eu precisava ser gentil e educado com ele, afinal, ele não era meus amigos da escola e muito menos alguém próximo.
— Sim, eu sou Perth. O prazer é meu. — Eu estava desconcertado.
— N'Perth, desculpe se pareceu que eu falei por você quando perguntei dos nossos horários mais cedo. Eu tenho uma pequena tendência de falar muito. Talvez, mas só talvez, eu seja tagarela demais. — Ele brincou e riu. O sorriso que saiu dos meus lábios foi tão natural que nem mesmo eu esperava por eles. — É que eu tenho uma prima que é quase uma irmã pra mim. Ela ainda é pequena, não entende muito bem sobre trabalho e como isso rouba o nosso tempo. Em alguns finais de semana, ela costuma ficar comigo e com a minha mãe. Por isso... Eu... Bom, eu gosto de passar esse tempo com ela.
Eu o observei falando, com um brilho nos olhos, sobre a menina. Apesar de ele falar muito e ligeiramente rápido, o que ele tentava transmitir fora facilmente percebido por mim e pelo visto para as outras pessoas ao redor dele também, pois onde ele passava, havia pessoas rindo e conversando. Eu sorri para ele e involuntariamente, pensando em quanto eu gosto de crianças, me senti tentado a falar.
— Ela se parece com você? Posso conhecê-la um dia?
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It's Probably Love
أدب الهواةVocê nunca sabe quando sua vida estará prestes a mudar, ou quanto alguém se tornará a mudança em sua vida. Dois homens com personalidades completamente distintas se encontram em uma situação que pode mudar todo o seu futuro, sendo obrigados a trabal...
