"Não Irei Desistir Assim"

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Pov Perth

Eu ouvi o CEO falar daquela forma e o choque foi enorme. Na verdade, por um momento, eu fiquei estático. Não podia acreditar e nem processar a informação. Estava sentado, atônito. Os meninos começaram a se levantar e sair das suas cadeiras para se dirigirem ao saguão. Nós não podíamos simplesmente ir embora agora. Observei P'New sumir em meio a multidão e eu estava ali, sem saber o que fazer. Mas então, passei a ouvir um pequeno som, que me soava como choramingo.

Olhei para frente e vi P’Saint encurvado. Me inclinei para olhá-lo, e ele estava com os cotovelos apoiados em seus joelhos e as mãos cobriam seus olhos. Nem em mil anos, se eu tentasse, seria capaz de descrever a dor que senti ao vê-lo daquele jeito. Eu sabia que ele já tinha passado por trabalhos cancelados antes. Mas agora, que tudo parecia tão certo e foi desmoronado dessa forma, deve tê-lo deixado sem chão. E isso me fazia mais mal do que meus próprios sentimentos.

— Pi… não fique assim, acalme-se, por favor. — Eu coloquei minhas mãos em seus ombros, mas ele não se moveu. — Nós vamos passar por isso juntos. Eu prometo.

Ele tirou uma das mãos de seu rosto, secando-a na roupa. Geralmente, seria algo que me remeteria a uma situação engraçada, parecia com uma criança. Mas agora, eu não poderia nem sequer imaginar como um cenário alegre.  Seus dedos tocaram os meus.

— Eu sei que vamos. Mas… eu não estou bem. Apenas não estou, você entende? É culpa minha? Eu que sou insuficiente? — Oh não, Pi. Não é o momento para se culpar.

— Hey, não fale isso. Não é nada contigo. Por favor… — Eu via ele secar os olhos, mas suas lágrimas vertiam como uma cachoeira. — Você aguentou até aqui, nós vamos conseguir resolver isso de alguma forma.

Eu via P'Chen nos observar de longe, fixamente. Ele não se aproximava, mas seu olhar era claramente preocupado. Ele tinha P’Saint como um filho e isso era notável. A maneira como ele vigiava o Pi, não era somente como um agente faria. Inclusive, onde estavam os meus? Isso não importava agora.

— Meninos, nós precisamos que vocês vão lá para fora. Eu entendo que estão chateados, mas vocês sabem que precisam cumprir horários conforme o combinado. — Eu realmente não podia acreditar que a funcionária estava vendo o estado do Pi e ainda tinha coragem de citar algo tão estúpido como horários.

— Nós sabemos o que precisamos fazer. — Eu posso ter soado rude, mas havia algo muito mais sério aqui. E esse alguém estava chorando em minhas mãos.

— Nós precisamos ir. — Ele não iria abandonar seu senso de responsabilidade, nem mesmo agora. Ele fez menção de levantar.

— Não. Ainda não. — Antes que ele se levantasse, eu me inclinei ainda mais sobre ele, fazendo com que ambas as minhas mãos se encontrassem sobre seu peito e coloquei minha cabeça em seu ombro, apertando fortemente seu corpo contra o meu. Eu podia ouvir seus soluços aumentarem.

— Obrigado por estar do meu lado. — Ele me falou, em meio as suas lágrimas. — Obrigado por cuidar de mim assim.

Depois disso, P'Chen veio nos chamar para irmos ao saguão. Sabíamos que teríamos que ficar ali, junto com as meninas que esperavam, assim como nós, o início da série que não aconteceria mais. Eu realmente gostaria de poder fugir daqui com o Pi. Não queria que ele tivesse que passar por esse contato agora. Com certeza o deixaria pior.

Quando chegamos lá fora, novamente P'Chen se afastou de nós, mas as fãs não. Elas estavam em volta, dando presentes e querendo conversar. Não é que seja ruim da parte delas, eu podia entender que elas queriam nos consolar. Apesar de eu mesmo querer desabar, precisava me manter forte. Nesse momento, eu teria que ser a estrutura do Pi. Exatamente aqui, eu percebi que protegê-lo não iria ficar apenas no meu querer, mas eu faria independente do que eu precisasse fazer.

It's Probably LoveHistórias para pegar e não largar. Descubra agora