"Isso Não Irá Acontecer"

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(Nota: O capítulo é quase todo baseado em fatos reais, o que não significa que todos os fatos sejam verídicos ou que retrate exatamente como aconteceu.)

Pov Perth

Acordei com algo tocando o comprimento do lóbulo da minha orelha. Abri levemente meus olhos e estava com eles voltados diretamente para a janela. A luz que vinha de fora ainda era escassa, mas não impediu que eu sentisse a dor. Eu logo os fechei novamente. Primeiramente, eu queria saber o porquê de ter acordado quando o sol mal havia nascido.

Um dos braços do Pi estava sob o meu pescoço, mas eu sentia que estava se contraindo. Provavelmente, ele deveria estar adormecido. O outro estava colocado levemente por cima do meu tronco, mas sua mão repousava em meu rosto. Era exatamente isso que estava tocando minha orelha. Magicamente, aquele toque deixou de me incomodar.

Eu pensei em me movimentar calmamente, para deixar que ele tirasse seu braço de baixo do meu corpo, mas não queria que ele retirasse o de cima. Então, quando fui me mexer, eu notei que suas pernas estavam envolvidas nas minhas, o que não me permitiu quase nenhum movimento. Eu já havia sentido boas sensações — graças a ele — mas essa era a mais reconfortante de todas. De início, eu mesmo me questionava o que era tão bom nisso. Demorei, mas pude concluir: era a primeira vez que eu realmente acordava em seus braços.

Eu já havia estado com ele em diversos momentos, porém, todas as vezes, algo acontecia, fazendo com que ele virasse de costas para mim. Eu sempre fazia questão de abraçá-lo nessas situações. Mas, mesmo quando foi diferente, ele sempre levantava antes mesmo de eu despertar. Mas não hoje.

Naquele instante, nós realmente estávamos com nossos corpos juntos e eu que estava sendo abraçado por ele. E eu seria capaz de lembrar desse ápice. Esse pensamento fez com que eu sorrisse de tal forma que meus lábios até mesmo doeram. O Pi tirou sua mão do meu rosto, quase que imediatamente, descansando-a em cima da minha, que estava na barriga.

— Oh não, Pi. Eu quero onde estava. — Me forcei a virar levemente minha cabeça para ele.

Eu estava envergonhado de olhar para o seu rosto. Era de se esperar, já que eu havia liberado o pior de mim na noite anterior. Apenas de lembrar disso, eu sentia meu rosto queimar e… não apenas isso? Ah, não. Realmente não é o momento.

— Do que você está falando? — Ele acha que não sei o que estava acontecendo? — E por que seu rosto está tão vermelho?

— Eu acordei com calor. — Eu tentei enganá-lo. Mas era óbvio que eu não conseguiria, quem sairia perdendo seria sempre eu.

— Oh, devo te soltar? — Ele fez menção de tirar seu braço do meu.

— Não! —  Pude ouvir minha própria voz ressoar no quarto. — Droga, Pi.

— Do que você está reclamando? — Eu estava segurando fortemente sua mão. Ele sorria levemente para mim. Eu virei meu rosto para a janela novamente, como forma de tirá-lo da visão dele. — Você dormiu o suficiente?

— Eu estou descansado. — Geralmente, eu tenho muita dificuldade em dormir à noite. Mas, será que o cansaço fez com que eu apagasse completamente? Eu não lembro de muito, apenas de ter me vestido e deitado em seus braços.

— Bom, eu fico feliz. Mas temos que levantar. — Eu assenti antes de pensar no que ele estava falando. Quando entendi, detestei a ideia.

— Não quero. — Eu podia ver meus próprios lábios criarem um bico, de tão grande que estava.

— Como não quer? — Eu ouvi seu riso ressoar em meu ouvido e senti sua bochecha pousar em cima dele. — Nós temos que ir embora.

— Eu continuo não querendo. — Será que se eu usasse todos meus artifícios, faria com que ele ficasse assim comigo mais um pouco? — Só mais um pouco, sim? Eu prometo que não vou me enrolar em me arrumar.

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