Capítulo 11Jk

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Sinto algo sobre meu braço, uma sensação de dormência é me chegada à medida que passo a língua pelos lábios ásperos, o frio domina meu corpo, e sinto medo.
Medo de abrir meus olhos nesse segundo e descobrir que estou só, medo de me encostar do outro lado finalmente, medo pois não voltei para ao menos me despedir de  Taehyung.
Em todos os casos abro meus olhos aos poucos, contemplando paredes brancas ao meu redor, assim como mamãe cochilando em uma cadeira ao lado de onde estou deitado, o vestido bonito ainda emoldurando seu corpo, porém a blusa de frio que papai carrega no carro consigo, está posta nos ombros pequenos da mulher a minha frente.
Soro está em meu braço, e meu pulso está enfaixado firme, de modo que mexer a mão é quase impossível, também há algumas faixas enrolando minhas pernas, prendendo-me a cama.
Minhas costas doem, meus músculos estão tensos, e ao virar o rosto encontro papai do outro lado, também cochilando na cadeira de plástico, os braços cruzados em frente ao corpo.
Olhá-lo agora me faz pensar em quanta coisa já o fiz passar.
Em quanto esse homem já sofreu, já se sentiu pressionado e até mesmo cansado.
Me sinto inútil, ao olhar ele e mamãe sei que esse é o típico sentimento que causa pena nas pessoas, mas não é esse o caso.
Sinto-me inútil por não poder ao menos ajudá-lo em algo simples, por saber que ambos já passaram por isso antes.

Tento me erguer, acabando por fazer barulho, acordando mamãe que imediatamente se curva em minha frente, as mãos trêmulas vão ao meu rosto e o sorriso de alívio me chega ao coração de forma tão devastadora que suspiro baixo.

— Kookie!_Com meu nome sendo dito por seus lábios, papai acaba acordando também, se movendo para perto de nós. — Você se sente melhor, meu amor? 

—Sim agora que aca-aca-aca...acabei de te ver. _Murmúrio recebendo seu sorriso novamente.

Nossas mãos estão juntas, e o puxo para um abraço rapidamente, sentindo seus braços me apertando como se sentisse medo. Não me lembro do que aconteceu, verdadeiramente.
Estávamos a caminho da praia e papai segurava a bicicleta para me ajudar a andar, estávamos todos felizes enquanto Namjoon insistia em me passar protetor solar, mesmo que não ficássemos por muito tempo, já era o suficiente para me fazer exercitar o corpo além de acompanhar minha melhora com os novos remédios, meu coração precisaria estar trabalhando firmemente, entretanto não consigo me lembrar o'que aconteceu, ou de como vim parar aqui.

—O-oque acon...aconteceu… afinal?

Pergunto me afastando apenas para lhe encarar.
Seus lumes brilhantes me encaram, e papai segura minhas mãos passando certa confiança antes de dizer qualquer coisinha.

— Você teve uma crise na praia, não sabemos se foi pelo novo tratamento ou se foi por qualquer outra coisa.

Me sinto desinquieto, se for pelo tratamento, significa que ele também não dará certo.

—Vo-vocês sabem que i-i-isso na-não vai dar ce-ce-certo não é? 

Digo, dessa vez deixando com que lágrimas escaparem pelos meus olhos, fazendo com que automaticamente minha mãe também chore.

— Não aceita isso tão facilmente. _Meu pai comenta voltando a segurar minhas palmas. — Eu vou fazer o possível para que você não vá Kookie, eu prometo isso, você é meu menininho de ouro, isso não vai mudar nunca, sempre vou ser seu pai e não é uma doença, uma crise ou qualquer outra coisa que vai mudar isso.

As lágrimas começam a querer descer por seus olhos.
Quando o assunto é esse homem a minha frente às coisas mudam.
Eu não conheço o amor por inteiro, aquele afetivo no qual te faz delirar de paixão, ter a quentura no coração, mas conheço o amor entre ligações próximas, o amor de um pai por seu filho, por sua família.

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