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Capítulo 17:Termos Profissionais, Olhares de Gelo e um Round no Tatame

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👤 POV ANA

Nos dias que se seguiram, eu adotei a minha melhor armadura de aço. Se Robert Adams queria que tudo entre nós fosse estritamente profissional, ele teria exatamente isso.

Durante o trabalho em home office, nós passávamos horas em chamadas de vídeo analisando as auditorias dos contratos da Adams Engenharia. Minha voz saía cirúrgica, fria e desprovida de qualquer emoção. Eu o tratava exclusivamente por "Senhor Adams" ou "Diretor".

Do outro lado da tela, dava para ver o incômodo nos olhos azul esverdeado dele. Robert tentava manter a pose de CEO arrogante, mas o desdém absoluto com que eu o tratava cortava o ego dele ao meio. Nenhum de nós dois dava o braço a torcer. Éramos duas forças da natureza trancadas em um impasse de orgulho ferido.

Naquela tarde, o clima pesado no escritório virtual me deixou sufocada. Aproveitando que o pequeno Oliver tinha caído em um sono profundo, aconcheguei-o no bebê-conforto e o levei comigo até o subsolo da mansão, posicionando-o em um canto seguro e fresco do box de treinos dos seguranças. Eu precisava socar alguma coisa.

Meus irmãos, Daniel e Lucas, já estavam lá embaixo. Daniel estava sem camisa, com as faixas táticas enroladas nas mãos pesadas, enquanto Lucas ajustava o cronômetro do tatame.
- Olha só quem resolveu descer - Lucas brincou, dando um sorriso esculpido de mármore. - Veio tirar o estresse do Direito Criminal, Liz?

- Vim tirar o estresse de engenheiros egocêntricos, para ser mais exata - respondi, amarrando meu cabelo loiro em um rabo de cavalo alto e apertado, calçando minhas luvas de jiu-jitsu.

Passamos a hora seguinte em um ritmo frenético. Daniel e eu trocávamos golpes rápidos de imobilização, com Lucas corrigindo a minha postura. O suor escorria pelo meu corpo , e a adrenalina queimava no meu sangue de um jeito revigorante.

O som dos nossos corpos colidindo contra o tatame de borracha foi interrompido quando a porta pesada do box se abriu. Robert entrou. Ele vestia uma calça de moletom cinza e uma camisa preta justa que deixava os seus músculos absurdamente largos em evidência. Ele parou na entrada, os olhos cinzentos varrendo o local até focarem em mim, brilhando com aquela intensidade perigosa.

- Vocês têm uma técnica impressionante - Robert falou, a voz mansa, caminhando até a borda do tatame com os braços cruzados. Ele olhou para o Daniel e depois fixou os olhos em mim. - Eu gostaria de aprender. Quero que vocês me ensinem a lutar. Se o Ludovico realmente está vindo atrás de nós, eu não pretendo ser um alvo estático.

Eu dei um passo para trás, limpando o suor da testa com o antebraço, e o encarei com o olhar mais gélido que consegui projetar.
- Sinto muito, Sr. Adams, mas o meu contrato com a sua empresa cobre apenas auditoria jurídica, não treinamento tático de forças especiais. Além disso, as regras da casa exigem contato físico - fiz uma pausa dramática, cravando os olhos azuis nos dele -, e eu não tenho o menor interesse em encostar em você. Contrate um personal de condomínio.

Robert tensionou o maxilar, os olhos cinzentos faiscando com a minha rejeição pública. Daniel, que não perdia uma única movimentação no perímetro, deu um sorriso de canto, achando o máximo o corte que o CEO levou. Meu irmão mais velho deu dois passos à frente, estalando os nós dos dedos com uma calmaria aterrorizante.

- A minha irmã já deu o veredito, engenheiro. Ela não vai tocar em você - Daniel disparou, a voz grossa e imponente de 1,90m batendo de frente com a postura do Robert. - Mas eu estou perfeitamente disponível para a vaga de instrutor. Sobe no tatame. Vamos ver do que o topo do Olimpo é feito.

Robert aceitou o desafio na hora, o orgulho de homem alfa falando mais alto. Ele tirou os tênis e subiu no tatame, adotando uma postura de guarda que, honestamente, não era ruim para um civil, mas diante de um ex-militar de elite das forças especiais, era o equivalente a levar uma faca para um tiroteio.

O round não durou muito, mas foi cômico de assistir. Robert tentou avançar com um soco direto, mas Daniel se esquivou com uma facilidade irritante. Num movimento cirúrgico e rápido como um raio, meu irmão travou o braço do Robert, girou o quadril e o arremessou de costas contra a borracha do tatame. O impacto ecoou pelo subsolo com um baque surdo.

Robert soltou o ar dos pulmões com o tombo, mas antes que pudesse se recuperar, Daniel montou sobre o corpo musculoso dele, travando seus ombros em uma chave de braço impecável. Daniel não apertou o golpe para machucar de verdade - afinal, o homem ainda era o dono da casa e o cara que pagava o meu salário -, mas fez questão de aplicar a pressão exata para deixar o CEO completamente imobilizado e sem ar.

- Regra número um do tatame, Adams - Daniel sussurrou com deboche, olhando de cima para o Robert que tentava se livrar do peso inútil da montada. - Nunca ache que o seu tamanho substitui o treinamento. Você está apagado.

Olhei para o Robert imobilizado no chão, com o coque loiro-escuro bagunçado e os olhos cinzentos focados em mim, brilhando com uma mistura de humilhação, fúria e uma óbvia atração que ele tentava esconder a todo custo. Eu não disse uma única palavra. Caminhei até o canto do box, peguei o bebê-conforto onde o pequeno Oliver continuava dormindo alheio ao caos do mundo, e marchei em direção à saída sem olhar para trás.

A mulher de gelo estava de volta ao comando, e o Sr. Adams ia ter que aprender a engolir o próprio orgulho se quisesse sobreviver ao meu clã.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora