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Capítulo 7: Planilhas da Madrugada, Quartos do Pânico e Uma Pequena Confusão no

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Depois de ouvir todo o relato de Camilla sobre o desvio de milhões na contabilidade, a minha mente clareou de forma cirúrgica. O pânico não ia resolver nada; provas estruturadas, sim.

- Milla, para de chorar e engole o choro - ordenei, segurando os ombros dela com firmeza. - Nós vamos resolver isso do único jeito que funciona: de forma legal e implacável. Nós vamos juntar cada fio de prova, cada foto desse celular, cada relatório adulterado, e vamos apresentar tudo direto para o dono da empresa, o tal Robert Adams. Ele precisa tomar as medidas cabíveis antes que a Receita Federal bata na porta, e nós vamos provar, sem sombra de dúvidas, que você foi usada como bucha de canhão e não tem nada a ver com essa sujeira.

Passamos a madrugada inteira em claro na ilha de inox da cozinha, cercadas por canecas de café forte e telas de notebook. Milla, apesar do medo que fazia seus dentes baterem, usou seu cérebro brilhante de contadora para rastrear as maquiagens financeiras, enquanto eu organizava o dossiê sob a ótica do Direito Penal Empresarial.

Cruzamos dados, imprimimos relatórios confidenciais e montamos uma linha do tempo perfeita que tirava o alvo das costas da minha amiga e o colocava exatamente na cabeça do Sr. Ludovico e do Erik.

Quando o sol começou a nascer pelas janelas do apartamento industrial, o documento estava impecável. Ninguém conseguiria contestar.

No dia seguinte, o cansaço era visível, mas a adrenalina nos mantinha de pé. Nos arrumamos para uma reunião que, honestamente, nem sabíamos se iriam nos deixar ter. Coloquei meu melhor terninho de batalha e um salto que impunha respeito.

Antes de cruzar a porta, chamei a babá de confiança do Oliver até o corredor do segundo andar. A paranoia de segurança que meu pai injetou na minha infância finalmente faria sentido.

- Me escuta bem - falei, puxando um espelho gigante com moldura de ferro no corredor, revelando um teclado biométrico oculto na parede. Coloquei meu polegar no sensor, e um clique pesado ecoou quando a parede se deslocou.

- Meu pai projetou e equipou este quarto do pânico para mim quando me mudei para Nova York. Tem isolamento acústico, suprimento de ar, água, mantimentos e comunicação blindada. Além disso... - apontei para um painel falso no fundo do cômodo, que deslizou ao toque da minha digital, revelando uma parede tática armada com pistolas e rifles licenciados.

- Se você ouvir qualquer barulho estranho, qualquer tentativa de arrombamento na porta principal, você pega o Oliver, entra aqui e tranca por dentro. Vocês estarão completamente seguros do resto do mundo. Entendido?

A babá engoliu em seco, arregalando os olhos diante do arsenal da filha de ex-militares, mas assentiu prontamente, entendendo a gravidade. Dei um beijo na testa do meu loirinho de olhos azuis e saímos.

Chegando ao imponente prédio espelhado da Adams Engenharia, subimos direto para o andar da presidência, o Olimpo que eu nunca tinha pisado. O lugar exalava um luxo silencioso, com carpetes grossos, quadros de arte contemporânea e uma secretária de postura impecável atrás de uma mesa de mármore.

Apresentei minhas credenciais jurídicas e exigi uma audiência de urgência com o CEO. A resposta? Um sorriso educado e um banho de água fria: o Sr. Adams estava em reuniões consecutivas com investidores estrangeiros e não tinha espaço na agenda para "assuntos internos de funcionários júniores".

Esperamos. Uma hora. Duas horas. Três horas consecutivas sentadas nas poltronas de couro da recepção. Camilla já estava quase tendo uma síncope de tanto roer as unhas, olhando para os lados achando que o Erik ou o Ludovico apareceriam a qualquer momento com um terno novo e uma nova ameaça.

Minha paciência de pitbull, que já era curta por conta da madrugada em claro, evaporou por completo quando o relógio marcou a terceira hora de chá de cadeira. Olhei para a secretária, que continuava digitando calmamente no computador, e depois para a imensa porta dupla de madeira maciça que dava para a sala do grande chefe.

- Ana, o que você vai fazer? - Milla sussurrou, em pânico, quando me viu levantar e ajustar o paletó.

- Vou fazer o que os Willians fazem de melhor quando não são convidados para a festa: abrir a porta sozinhos - respondi com um sorriso de canto.

Caminhei a passos firmes até a mesa de mármore. A secretária ergueu os olhos, prestes a dar mais uma desculpa educada, mas eu não dei tempo. Bati com força as duas mãos na mesa dela, fazendo o monitor tremer, e projetei a minha voz de advogada criminalista de um jeito que ecoou por todo o andar:

- Escuta aqui, minha querida! Ou você abre aquela porta agora ou eu mesma vou entrar lá e processar essa empresa inteira por conivência com fraude internacional, formação de quadrilha e cárcere privado! Eu tenho um dossiê que vai fazer as ações da Adams Engenharia virarem fumaça na bolsa de Nova York antes do almoço! Quer pagar para ver quem grita mais alto no tribunal de júri?!

A secretária arregalou os olhos, chocada com a audácia da júnior do subsolo. Ela pegou o telefone com as mãos trêmulas para chamar os seguranças, mas a confusão que armei chamou a atenção errada. Ou melhor, a atenção certa.

A grande porta dupla de madeira maciça se abriu num clique suave. E pela primeira vez na minha vida, o verdadeiro furacão chamado Robert Adams surgiu na minha frente.

ROBERT ADAMS Histórias para pegar e não largar. Descubra agora