Não

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Talvez eu esteja completamente errada, emocionalmente equivocada e extremamente cega, mas eu simplesmente ainda não encontrei motivos que me afastem de ti. Talvez eu esteja batendo na mesma tecla varias vezes, esperando que uma hora ela volte a funcionar como antes, a verdade é que eu penso demais em ti, eu gasto meu tempo trazendo lembranças que eu não consigo fingir que não aconteceram. Eu sei que o lógico seria não dar importância pro que aconteceu, jogar fora lembranças, esquecer toques, marcas, conversas, esquecer momentos, esquecer o canto, a brincadeira, esquecer o sorvete e o cachorro, mas por enquanto simplesmente não dá. Não sei como essas pessoas funcionam, não sei se não têm memória ou eles vêm com uma tecla de delete (que eu ainda não encontrei pra teclar várias vezes), elas simplesmente dizem pra apagar e jogar fora, como se todos os momentos e pessoas fossem facilmente descartáveis. Eu sei que a possibilidade de não ficarmos juntos é muito maior, eu sei que provavelmente uma hora eu vou ter que deletar minhas lembranças e tentar fingir que nada aconteceu, mas por enquanto é inevitável pensar o quanto nosso filho seria bonito se puxasse o teu nariz, o quanto as tuas mãos encaixam perfeitamente nas minhas, o quanto eu seria útil em não deixar a tua sobrancelha juntar. Penso no quanto seria bom numa tarde de domingo tomar aquele café da starbucks que tu tanto gostas, o quanto eu amaria procurar cupons contigo em todos os lugares que nós fossemos, o quanto a nossa casa seria colorida porque eu sou brega na decoração (apesar de fazer arquitetura). As vezes eu imaginava como seria a nossa história contada naqueles vídeos de casamento chique: tu te interessando pela minha amiga e eu pedindo pra tu conseguires o contato do teu amigo. O quanto seria difícil não te ter por perto pra responder às minhas perguntas de teologia, o quanto eu amaria fazer missões contigo, talvez os nossos filhos nascessem por lá. Não sei exatamente até que ponto eu estou sendo exagerada, acho que tu já me fizeste perder o senso do ridículo faz tempo, quebrando meu orgulho e me deixando da forma mais vulnerável possível: confiando em ti e te amando. Talvez eu ainda não tenha aprendido tudo sobre amor, talvez eu ainda não tenha aprendido tudo sobre relacionamento muito menos tenha entendido tudo sobre ti, mas tudo que eu queria era de ter a oportunidade de continuar aprendendo do teu lado. Talvez o conceito de "teu lado" ainda não exista, ainda não esteja disponível pra mim, talvez a forma como o teu abraço me compreendeu tenha sido só impressão minha, talvez esses momentos apaixonados todo mundo passe, e passe pra sofrer depois, talvez não ficando com quem a gente quer seja uma forma bem eficaz de auto punição por sentimentos tão doídos (de doer, e não doidos) que eu tenho em mim. Talvez a solução seja sempre o não imediato, talvez essa seja a receita da felicidade: negar o que eu quero até que esteja triste o bastante pra não querer mais nada.

Silêncio que se lêHistórias para pegar e não largar. Descubra agora