Odeio despedidas

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Não gosto de me afastar de ninguém, não gosto de manter distância, quanto mais anunciada. Não gosto de despedidas, gosto de processualmente ir embora, não gosto de clima ruim, sentimentos inacabados, relações abruptamente interrompidas, não condiz com o natural humano. Ninguém deixa de sentir, de se importar de uma hora pra outra, ninguém acorda e esquece, ninguém dorme e, de fato, deixa pra lá, ninguém muda do dia pra noite nem esquece tudo no dia seguinte. Somos seres processuais, e seres processuais precisam digerir seus momentos com lentidão, eu preciso desses momentos de lentidão pra me acostumar com a ideia de deixar alguém. Quando eu mais choro do que rio, eu entendo que é pra deixar alguém, não porque eu ame menos, não porque me importe menos, na verdade me importo tanto que coloco acima de mim, mas quando o sentimento não é recíproco tende a machucar. Ninguém gosta de se ferir constantemente, nem de sentir saudades, nem sentir sozinho, incômodo, prejuízo, atrapalho. Queremos nos sentir especiais por quem fazemos especiais pra nós, quem não demonstra importar dói, e a dor é usada pelo corpo para mostrar que algo está errado, algo deve ser mudado pra que a dor processualmente passe.

Silêncio que se lêHistórias para pegar e não largar. Descubra agora