Como pode de uma estrutura tão rígida e espessa, tão monótona e firme, tão íntegra e ilesa, tão dura e tão pura, uma pedra, fazer nascer algo tão límpido e profundo? São camadas de rochas, camadas de silêncio, tantos átomos tão próximos que não são espaço pra nenhum sentimento. Vazios entre elas, mas dentro delas, nada além de rocha, cada uma não é feita de nada além de rocha, do começo ao fim, exterior e interior, apenas rocha. Nenhuma rocha esconde nenhum mistério, todo mundo sabe o que ela é, preenchida por si mesma, nada além do que aparenta ser: rocha. Por isso as fontes me encantam: no meio dessa vastidão de dureza e integridade nasce um fio dela: transparente, fluída, dispersa, não se contenta em forma mas se expande e ocupa sempre o que pode, ninguém a forma, ela simplesmente existe, é única e essencial, líquida e fina, gélida, homogênea água. Um fio de esperança que nasce na brutalidade da rocha.
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Silêncio que se lê
PoesíaO silêncio guarda nossos sentimentos mais profundos, o silêncio fala verdades, emite certezas e incertezas. O silêncio é único que entende a confusão, que no meio do breu, se expande sorrateiramente ocupando o espaço da tristeza. Existem momentos qu...
