Eu nem escrevo mais

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Eu não escrevo mais e as palavras me tornaram cansativas. Eu deito e me viro na cama, procurando encontrar um conforto em meio ao calor dos lençóis. É difícil encontrar certezas, é difícil encontrar apoio, é difícil ser sentido sem que haja um julgamento. Eu não escrevo mais porque não é mais confortável, os dedos doem e as articulações reclamam, os olhos se reviram e o corpo fica inquieto de tanta ansiedade. Os pés mexem e não conseguem parar, o coração treme de medo e o medo corre parado inquietamente. É bem, a cada dia que passa me fazes gostar mais de ti, e tu me derramas a tua dor, e a tua dor dói, o teu choro dói, és mais inquieto que eu, és mais sentimental que eu, e eu tenho que aguentar a tua barra e a minha. Eu não te culpo meu amor, eu não te culpo por nada, eu atraio os tristes, os problemáticos, eu atraio os puros. Eu nasci assim, eu preciso cuidar da forma como nunca fui cuidada, eu preciso escutar como nunca fui escutada, eu preciso compreender como nunca fui compreendida, eu preciso ajudar, eu não consigo te olhar e passar por cima das tuas dores, mas elas me abalam, eu seguro na tua mão e divido as tuas cargas, pra falar a verdade eu não gosto disso, é pesado, mas eu me encarrego por amor. O amor me faz carregar, o amor me faz te carregar, eu só não sei se ainda gostas de mim, eu não sei se vamos sequer chegar a ficar juntos, cada vez que tu dizes que se sente confuso tu me machucas um pouco também e me deixa confusa. Agora eu estou aqui, escrevendo o que não queria escrever sobre a pessoa que eu sequer sentia alguma coisa, é você meu amor, que fez isso comigo, se precisar partir parte, só não me parte junto.

Silêncio que se lêHistórias para pegar e não largar. Descubra agora