Freedom

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Fiquei parado vendo o caixão descer no buraco em que provavelmente ele iria passar o resto do tempo. Em seu túmulo estava escrito seu nome com sua data de nascimento e morte, ao ver aquilo me dava uma dor no coração tão forte que sentia que ele iria parar a qualquer momento.

- Aidan, as enfermeiras me deram isso. – chegou Henrique me mostrando um pano, peguei ele e comecei a desenrolar. – Achei que seria bom ficar com eles.

- Ah. – soltei uma surpresa quando vi o que havia enrolado dentro, eram os piercings de Alam que eles haviam tirado quando ele chegou ao hospital, dentre eles havia o transversal que eu havia dado de presente para ele, lembrei do momento em que o entreguei parecendo que ia pedir em casamento, o que de certa forma dava na mesma. Sorri tristemente com aquelas lembranças. – Obrigado Henrique. – falei sorrindo e trazendo o transversal para mais perto do meu rosto. – Irei colocá-lo como lembrança.

Henrique sorriu. Os dois ficaram ao meu lado enquanto víamos o caixão de Alam chegar até o fundo. Peguei um pouco de terra e joguei nele, Sebastian e Henrique fizeram o mesmo, assim começaram a jogar terra para tapar o caixão. As lágrimas voltaram a rolar pelo meu rosto, mas dessa vez eu não soluçava.

- Adeus... – falei baixinho.

Falar aquilo cortou meu coração em milhões de pedaços. Agora era certo, eu nunca mais iria ver o sorriso de Alam de novo, ouvir sua risada ou seu sermão por algo bobo que eu tenha feito. Peguei meu celular para ver as horas e no fundo de tela estava uma foto do Alam sorrindo de maneira calma e feliz, eu havia até esquecido que havia colocado aquela foto em meu wallpaper de tanto que fiquei sem ligar para meu celular nos últimos dias. Aproximei o celular de meu rosto, parecia que assim eu iria chegar perto de Alam.

- Vamos Aidan. Precisa descansar. – disse Henrique.

-... Sim... Tem razão... – falei sem ânimo para nada, nem ao menos para viver.

Antes de ir embora fiquei um tempo olhando o túmulo dele. "Eu irei achar o filho da puta que fez isso com ele e irei mata-lo!" Jurei mentalmente com meus olhos expressando toda raiva que sentia. Voltamos para a minha casa, Henrique tirou meu terno, eu estava sem expressão nenhuma em meu rosto.

- Irei preparar algo para comermos, vá descansar um pouco Aidan.

Segui quieto até o quarto de Alam, ao entrar nele avistei suas roupas jogadas no chão e suas coisas espalhadas exatamente como ele havia deixado antes de sairmos para nosso encontro no dia em que Jack invadiu meu apartamento e fez com que levassem Alam para longe de mim. Peguei uma de suas camisas favoritas, que eu havia dado para ele, e trouxe-a para perto de meu rosto assim conseguindo sentir o cheiro de Alam que ainda havia nela. Algumas lágrimas voltaram a rolar pelo meu rosto quando lembrei que não iria mais conseguir dormir abraçado nele com o rosto em seu pescoço para conseguir sentir seu doce aroma. Deitei na cama que ele havia parado de usar para poder dormir comigo na minha, fiquei ali deitado abraçado em sua camisa lembrando de todas as noites em que dormimos juntos de conchinha ou com ele me abraçando e me usando como travesseiro. Uma dor me apossou, sentia como se alguém estivesse apertando meu coração e assim ele iria parar a qualquer momento. Eu queria desistir, simplesmente sumir da vida. Sei que isso é muito drama, mas pensem bem, eu nunca tive uma vida boa desde pequeno, a felicidade quase não reinava em mim até que finalmente a consegui com ele. Eu seria feliz levando a vida que tinha se o tivesse por perto, mas agora... Eu simplesmente não queria mais seguir adiante. Acabei adormecendo ali, eu realmente estava muito cansado.

Acordei com Sebastian me chamando para comer algo, não sentia fome então recusei. Depois de tanto insistirem no fim acabaram desistindo de me fazer comer algo e continuei deitado. Eu só queria dormir, de preferência para sempre. No dia seguinte acordei de um pesadelo, Alam estava nele e eu o via sofrendo nas mãos de Erick, mas eu não conseguia fazer nada, pois estava acorrentado sem conseguir me mexer. No fim do pesadelo Erick o apunhalou no coração, seus olhos assustados me encaravam e eu o escutei dizer "Me ajude". Pulei da cama sentindo um embrulho no estômago. Corri até o banheiro e vomitei, eu me sentia realmente mau. Escutei alguém se aproximando de mim.

O Cretino e o ProstitutoOnde histórias criam vida. Descubra agora