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Abri a porta do carro e tive uma sensação estranha, como se estivesse sendo vigiada ou algo do tipo, olhei ao redor e não tinha ninguém no estacionamento, adentrei o carro com o cenho franzido e tranquei a porta, verificando duas vezes.

Meu celular tocou e eu o atendi sem pensar duas vezes e sem ver quem era, o silêncio estava me deixando paranóica.

-Ei, aonde você está? - Shawn perguntou e eu olhei mais uma vez ao redor, procurando algo que nem eu sei direito o que é.

-Ahn.. estou saindo agora da Barston, por quê?

-Nada, estou no seu apartamento. - Assenti com a cabeça mesmo ele não podendo me ver. - Você quer que eu vá te buscar?

-Por que? Eu já estou dentro do carro, vou só ligar o fone para não ter distrações. - Falei colocando o celular no viva voz e procurando o fone dentro da minha bolsa.

-Eu não sei, é só que está tarde e você está sozinha, não me sinto seguro quanto à isso. - Finalmente encontrei o fone e conectei com o Bluetooth do celular.

-Eu sempre voltei tarde, Shawn. - Liguei o carro e dei ré com cuidado para sair da vaga.

-Eu sei, mas hoje eu estou sentindo um negócio que eu deveria estar com você. - Soltei uma risada nervosa saindo do estacionamento.

-Você apenas está com saudades, mas eu já estou indo. - Ele suspirou.

-É, talvez seja mesmo isso. E como foi a reunião hoje?

-Chata, sempre é chata, na verdade. - Ele riu e eu o acompanhei. - Hey, você conseguiu ver com a sua mãe sobre aquela casa que eu falei?

-Consegui, não se preocupe. Eu ainda não entendo porque não deixar sua família na mesma casa que você.

-Você não conhece eles, conseguem me enlouquecer com dois minutos de conversa. - Olhei pelo espelho do retrovisor vendo um carro preto bem atrás do meu.

-O bom é que vou, finalmente, conhecer sua família. - Ele parecia bastante animado com isso e eu não quis estragar.

Parei no sinal vermelho enquanto Shawn falava com alguém do outro lado do telefone, franzi o cenho ao escutá-lo soltar um suspiro pesado.

-O que foi? - Perguntei dando partida com o carro assim que o sinal ficou verde e o carro da frente se locomoveu.

-Nada demais, não se preocupe.

-Hum.. okay. Tem comida aí? Eu vou passar perto daquele restaurante mexicano que você adora, se quiser eu posso levar algo.

-Não precisa, só vem logo por favor, gente pede comida em casa mesmo. - Ele parecia desesperado e eu não entendi o porquê.

-O que aconteceu? Você está bem?

-Sim, eu só... não sei... só... só quero você aqui comigo. - Dei um meio sorriso ao escutar isso.

-Não se preocupe, eu vou chegar logo, vou só fazer essa parada.

-Por favor não, Kayra. Vem logo pra gente curtir a companhia um do outro. - Suspirei e parei o carro em frente ao restaurante.

-Vai ser rápido, eu prometo! - Tirei o cinto e vasculhei minha bolsa atrás da minha carteira.

-Tá bom, - Ele finalmente se deu por vencido. - eu te amo!

-Também te amo! - Achei minha carteira e peguei as chaves porque eu tenho uma mania incrível de esquecer a chave dentro do carro.

Assim que saí do automóvel, o vento frio atingiu meu rosto rapidamente fazendo meu cabelo voar e eu me encolher na minha jaqueta, acionei o alarme do carro e andei uns três minutos até a entrada do restaurante.

-Boa noite. - Cumprimentei o segurança com um sorriso e ele respondeu, um pouco mais sério porque não é permitido falta de seriedade nesse tipo de trabalho.

Me pus no final da fila e fiquei observando ao redor as famílias comer. A fila não estava tão grande, mas o fato de eu ter deixado o meu celular no carro fez com que o tempo passasse devagar.

Assim que chegou minha vez, cumprimentei a atendente que me deu um sorriso cansado.

-Boa noite, o que deseja?

-Boa noite, eu vou querer nachos, guacamole e tacos sem tomate, por favor. - Ela assentiu enquanto escrevia meu pedido.

-Pra viagem ou pra agora? - Ela perguntou cravando os olhos em mim.

-Pra viajem, por favor. - Ela assentiu.

-Algo para levar pra beber?

-Não, não precisa. Isso já basta, obrigada. - Ela assentiu, logo após pagar ela pediu para que eu aguardasse ao lado que logo iriam aparecer com o meu pedido.

Não esperei mais que 15 minutos, e logo já estava saindo do restaurante.

Fui andando devagar ajeitando as sacolas com os pedidos separados, até sentir uma mão no meu pulso me virando bruscamente.

-Passa a grana e o celular! - Arregalei os olhos confusa e chocada por isso estar acontecendo comigo. - Anda logo!

O homem a minha frente não devia ter mais que 20 anos, e estava com uma faca apontada para mim, não tinha como eu gritar e infelizmente a rua não estava tão cheia por causa do frio.

-Calma, eu não estou com o meu celular aqui!

-Não mente pra mim, anda logo! - Ele apertou mais a faca contra o meu ventre e eu podia sentí-la mesmo estando com uma jaqueta jeans e uma blusa por baixo.

-Está no meu carro, não faça nada comigo, por favor. Aqui a chave! - Levantei a chave calmamente e dei pra ele.

-Qual o seu carro? - Ele perguntou e eu apontei com a cabeça para o terceiro carro mais à frente.

Olhei para o restaurante esperando que o segurança visse que aquilo estava acontecendo, mas ele ficava de costas para a direção que eu estava e mesmo assim só dava para ver o ombro.

-Me deixa ir, por favor! - Pedi e ele me avaliou.

-Você não é aquela atriz? - Ah, que ótimo, a única pessoa que me reconhece pelo meu trabalho e não por ser namorada do Shawn está me assaltando e com uma faca direcionada à minha barriga., pensei tentando não demonstrar minha frustração.

-Sim, eu sou. Pode levar o carro e tudo o que tem dentro. - Ele me olhou desconfiado, e eu me mantive firme, mesmo que estivesse surtando por dentro.

Eu sou atriz, posso fingir que está tudo bem!

Ele destravou o carro e foi me soltando aos poucos, parecia muito assustado.

-LADRÃO! - Uma voz masculina gritou, tanto eu quanto ele nos assustamos e eu senti a faca adentrar minha barriga com tudo.

Olhei para o garoto a minha frente assustada, e ele me olhou parecendo em choque pelo que tinha acabado de fazer. Na tentativa de tirar a faca, ele a moveu me fazendo dar o grito que estava preso na minha garganta pela surpresa.

-PEGA ELE! - Escutei outra voz gritar enquanto a dor tomava conta de todos os meus sentidos.

-Perdão! - Ele sussurrou antes de sair correndo e abrir a porta do carro às pressas.

Coloquei a mão no cabo da faca e senti meu corpo fraquejar, puxei a faca com tudo dando outro grito e deixando meu corpo cair.

Eu não vi o que aconteceu em seguida, só sei que a dor que eu sentia era maior que qualquer coisa.

E mesmo estando ali escutando vozes e sem saber o que diziam, eu só conseguia pensar em Shawn.

Eu tinha prometido que voltaria logo e ele estava me esperando.

Eu deveria ter aprendido que não devemos fazer promessas, principalmente podendo ter imprevistos.

Eu não voltaria pra ele e isso estava claro pra mim. Senti uma lágrima escorrer pelo canto do meu olho direito e o nome dele foi a última coisa que saiu da minha boca antes de eu apagar completamente.

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Poxa, essa autora adora um drama e uma tragédia.
Até o próximo! ❤

Destiny: Trying Again - Shawn MendesOnde histórias criam vida. Descubra agora