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---Iris--- (16/06/2018 , terça-feira)

Acordo sobressaltada com o sonho que tive e esperguiço-me.

Olho para o chão da cela e franzo as sobrancelhas ao ver uma capa no mesmo.
Levanto-me e quando pego na mesma arregalo os olhos. Não estou a acreditar nisto.

Dentro da capa , há uma carta enorme a informar que amanhã, estou totalmente livre deste lugar.

-Isto não é nenhum tipo de brincadeira pois não?- sussurro para o guarda e o mesmo nega com a cabeça.

Toca para o intervalo e eu guardo a carta no bolso do meu macacão.

Assim que vejo o Jack a olhar em volta do terreno, corro até ele e abraço-o sem pensar duas vezes. Vou ter tantas mas tantas saudades dele.

-Ouu , tinhas assim saudades minhas?- o Jack abraça-me de volta e eu sinto de imediato lágrimas a descer pelo meu rosto.- Então , que se passa?- o Jack desfaz o abraço assim que repara que estou a chorar e eu mostro-lhe a carta que recebi.

Ele pega na mesma e quando começa a ler , vejo os seus olhos totalmente marejados.

-Eu estou feliz por ti , amor.- ele abraça-me novamente.- Promete que me vens visitar ás quintas.- ele aproxima-se de mim e eu assinto.

-Claro que venho.- baixo a cabeça.- Vou sentir a tua falta.- sussurro e ele ergue-me a cabeça com o seu polegar.

-Se não quiseres esperar por mim , eu compreendo. Só quero que sejas feliz , nem que seja com outro rapaz.- ele lança um sorriso pequeno para me confortar.

-Mas eu não quero outro rapaz.- pisco o olho e entrelaço os nossos dedos.

-Hoje é o último dia que passamos juntos durante muito tempo , temos que aproveitar muito.- o Jack suspira e eu faço o mesmo.- Sabes que como somos um casal , podemos ter por mês uma visita de uma hora , numa sala só para nós. Quem sabe podemos fazer outras coisas.- o Jack caminha comigo á volta do terreno, com as mãos coladas ás minhas.

-Não abuses.- rio , e o sonho que tive esta noite aparece na minha cabeça.

(...) (17/06/2018 , quarta-feira)

As latas ecoam pela minha cabeça assim que os guardas aparecem na minha cela. Não estou pronta para deixar o Jack.

-Vá Helton , deixa os pombinhos despedirem-se.- a cela do Jack abre-se assim que eu desci o andar que dava acesso ao rés do chão.

Corro até aos braços do moreno que está claramente a chorar e não controlo as lágrimas assim que o alcanço.

-Eu amo-te tanto.- ele sussurra no meu ouvido e eu tento ter forças para responder.

-Eu...também te amo , vou estar lá fora a esperar por ti.- sussurro passado algum tempo e assim que me separo dele beijo-o.

-E eu aqui a esperar para que esperes por mim.- ele ri e eu faço o mesmo. Mesmo estando a chorar , ele consegue fazer-me abrir um sorriso.

-Vamos , acabou o tempo.- sou tirada dos braços do Jack pelo guarda que permitiu que estivéssemos juntos e passo por uma cabine onde estão as coisas que aqui deixei quando entrei para este sítio. Um relógio e uma pulseira , oferecida pela minha mãe quando completei quinze anos.

-Não se esqueça, se cometer algum crime , tem aqui uma cela reservada para si.- o guarda entrega-me para a mão a roupa que eu usei no dia do meu primeiro julgamento , a roupa com que aqui entrei.

As portas do corredor são abertas e logo sinto ar puro. No lado de fora , estão os meus pais e a minha pequena irmãzinha.

Corro até a eles e abraço-os um por um.

-Já acabaste o estágio? Como correu?- a pequena Diana pergunta e eu suspiro.

-Sim Di , estou de volta.- sorrio.

-O Jack? Está bem?- o meu pai pergunta e eu assinto. Com o passar dos dias , digamos que os meus pais aprenderam a aceitá-lo. Não sabem da nossa relação, pensam apenas que somos amigos.

-É teu namorado?- a pequena pergunta e eu sinto as minhas bochechas a ferver.

-Não , é só um amigo , um dia vais conhecê-lo.- toco com o meu dedo na ponta do nariz da pequerrucha.

Concordo quando os meus pais decidem ir para casa e assim que entro no carro , olho para o terreno do intervalo que dava para ver um pouco. Nunca pensei dizer tal coisa , mas vou sentir saudades , não do lugar , mas da pessoa que me fez ficar razoavelmente bem nos meses de tortura que ali passei.

Quando o carro arranca , relembro alguns momentos que para mim são os mais importantes. Vejo-me a mim e ao Jack a treinar com os pesos , sem dúvida que ele deu de tudo para que eu não me tornasse inferior. Lembro-me da Mady , uma pessoa que morreu naquele terreno , a lutar por minha causa. Se fosse hoje , imagino-me a morrer no lugar dela.

Passado algum tempo , o carro pára e eu saio do mesmo , encarando a minha casa , totalmente diferente da que eu vi pela última vez , num sítio diferente , mais distante da minha antiga habitação.

A casa que era humilde , pequena e normal tornou-se numa mansão , que sinceramente , não faz o meu estilo.

-Digamos que eu e o teu pai conseguimos arranjar melhores empregos , não te contamos em antes porque queríamos fazer-te uma surpresa.- a minha mãe sussurra no meu ouvido. Ambos os meus pais têm estudos, mas nunca conseguiram um emprego bom o suficiente para ganhar mais que 600 euros por mês. Parece que na minha ausência eles mudaram esse ponto , em poucos meses.

Pego nos meus pertences e assim que entro na minha suposta casa sorrio ao ver os móveis antigos.

-Anda ver o meu quarto.- a Diana puxa-me pelo braço até ao segundo andar e abre a primeira porta que vê.

Na parede há unicórnios extremamente fofos , e uma cama de princesa , que é o que ela merece.

-O teu pai e eu , conseguimos emprego numa sala de contabilidade.- a minha mãe entra no quartinho da Diana e eu sorrio.

-Fico feliz por vocês. Eu amanhã já começo a procurar emprego.- cruzo os braços , totalmente decidida.

-Não precisas filha.- a minha mãe responde e eu puxo-a para o corredor.

-Eu vou pagar a fiança ao Jack , tenho que trabalhar.- sussurro.

-Tu vais o quê?- a minha mãe arregala os olhos.- Não é uma simples amizade , já tinha percebido isso.- ela sorri fraco.

-Eu sei que não aceitas , mas eu gosto dele , muito.- baixo a cabeça.

-Eu não me importo , o problema é o teu pai.- a minha mãe responde e eu suspiro.

-Mesmo assim, vou lutar com todas as minhas forças. Nem que consiga ter 3 trabalhos em simultâneo. Eu vou tirá-lo de lá.- respondo com convicção e engulo em seco ao ver o meu pai nas escadas , a ouvir tudo.

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Prison | Jack.G Histórias para pegar e não largar. Descubra agora