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---Iris--- (07/07/2018 , terça-feira)

-Como estão os meus pais e a Di?- pergunto ao moreno que se sentou ao meu lado.

-Preocupados , nunca perderam a esperança.- o Jack pega na minha mão e arregala os olhos quando vê as marcas das correntes na mesma.- Desculpa por não te ter encontrado mais cedo.- ele sussurra com um olhar culposo.

-A culpa não é tua , nem de ninguém que me procurou. A culpa é do Thomas.- soluço ao relembrar.

-Prometo , não vou deixar que mais nada de mal te aconteça.- ele sorri fraco.- O que importa agora é recuperares e tomares a medicação.- ele beija-me e eu tento fazer o mesmo , mas não consigo.

Ainda me faltam algumas forças para conseguir.

-A Diana disse que sou feio.- o Jack resmunga passado algum tempo e eu tento não rir com isso.

-É , ela não mente.- brinco e deixo escapar uma gargalhada quando vejo o Jack com a mão no lado errado do peito.- Não é desse lado.- rio ainda mais e logo me sinto presa , ainda não preparada para me rir assim.

-Queres descansar?- o Jack pergunta assim que nota que não estou mesmo preparada para uma conversa que envolva risos.

-Não , quero ficar contigo.- faço beicinho e ele sorri.

-Sabes , os jornais não pararam de falar de ti e de mim quando eu saí. Muitas pessoas acham que o meu lugar é dentro da prisão.- ele baixa a cabeça , agora num tom mais sério.

-As pessoas não sabem a tua história , não sabem nada. Não dês ouvidos.- respondo.

-Há grupos a ameacarem-me Iris , como é que queres que eu não ouça?- o Jack cruza os braços.- Não quero ficar longe de ti outra vez.- ele continua e eu suspiro , compreendo o lado dele.

---Jack---

Estar aqui , perto dela outra vez fez-me esquecer todos os problemas que tenho agora. O facto de ter saído da prisão em antes do tempo criou-me demasiados problemas e isso assusta-me.

Ela adormeceu , com tudo o que se passou não a condeno por isso.

-Como é que ela está?- a mãe dela entra no quarto , juntamente com a enfermeira que está a acompanhar a recuperação da Iris.

-A recuperar , é um processo longo. Sofreu muitos ferimentos , tanto nos órgãos como por fora.- a enfermeira responde e eu levanto-me para dar lugar aos pais dela.

-Ela falou contigo?- o Robson pergunta.

-Sim , mas acabou por adormecer.- sorrio e saio do quarto , indo na direção da pequena Diana que está a brincar num pequeno parquinho para crianças.

-A mana já acordou?- a pequena pergunta sem tirar os olhos dos brinquedos.

-Sim , está a descansar.- sento-me ao lado da menina que me sorriu.- Ainda não te desculpei por me teres chamado feio.- cruzo os braços.

-É verdade!- a pequena deita a língua de fora.- Agora estás mais bonito porque já não tens sangue na cara.- ela faz cara de nojo e eu riu.

-Uma vez disseram-me que as crianças dizem a verdade sempre , agora até fiquei deprimido.- resmungo , no meu tom de brincadeira.

-Eu até gosto de ti , sei que fazias tudo pela minha irmã.- ela sorri e eu aperto-lhe as bochechas.

-Fazia , tudo mesmo.- sorrio orgulhoso.

A minha atenção é posta no corredor do hospital quando vejo alguns médicos a correr até ao quarto da Iris. Os pais dela saiem do mesmo com olhares tristes e nada aliviados.

-Que se passa?- pergunto a medo.

-A Iris teve um colapso enquanto estava a descansar , desmaiou e os médicos estão com receio que possa acontecer o pior.- a mãe dela desmancha-se em lágrimas no final da frase.

-Vamos para casa , tu ficas Jack?- o pai da Iris dá a mão à sua esposa e eu assinto sem pensar duas vezes.

-Fico , vou dando notícias. Descansem.- sorrio fraco e sento-me nos bancos de espera com o rosto posto nas minhas mãos.

Ela passou por tanto que até a minha esperança está a ir embora. Neste momento , preferia estar no lugar dela e ela no meu. Porque sei que ela me iria superar e conseguir encontrar alguém melhor para cuidar dela , já eu , não consigo ver ninguém melhor que ela.
Sinto raiva , raiva porque pessoas boas ainda sofrem mais que as más em muitas situações. O Thomas merece morrer torturado como a torturou durante meses.

-Senhor Gilinsky.- um médico chama-me e eu levanto-me com medo do que vem por aí.- A menina Iris , está em coma, quer dizer-lhe alguma coisa?- o médico pergunta e eu assinto , já com as lágrimas nos olhos.

Quando fico sozinha com ela no quarto , entrelaço os nossos dedos e penso em algo para lhe dizer. Nunca fui uma pessoa que demonstra sentimentos constantemente , ela fez o meu lado sentimental vir à tona mais que uma vez. Considerava isso impossível em antes de a conhecer.

-Iris , sei que me consegues ouvir e deve ser sufocante para ti não conseguir responder. Tu és a mulher mais forte que conheci e as lágrimas que choraste comprovam isso. Nunca desististe e estavas sempre disposta a tudo , mesmo que corresses riscos. Peço-te agora , para não deixares essa força de lado e voltares para mim e para a tua família.- tento fazer de tudo para não chorar no meio das palavras , mas acabo por deixar cair algumas lágrimas de desespero.- Eu e a tua família precisamos de ti. Ainda tens muito para viver , não deixes que tudo isto seje em vão. Eu preciso de ti.- abafo-me em lágrimas.- Eu...amo-te.- sussurro em antes de ir embora do quarto e de voltar para o banco em que estava.

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Prison | Jack.G Histórias para pegar e não largar. Descubra agora