Cidade minha( s. tomé)

22 9 0
                                        


Manhã na cidade misteriosa
Açoita os delírios da minha vida
com o verde transladando a praça;
No jardim pensamento.

Cidade minha,
No alento do perdido mundo,
Toda nua e inocente;
A alma em desenvoltura
nos desafios dos rios.
Oh pobre Água grande,
Mãe das nossas lavadeiras.

Cidade acorda!...
Acorda cidade minha;
Escorrida neste grande esgoto;
De lá onde quem habita.

Eu via sua grandeza,
Eu via seu olhar,
Singelo, radiante
Nesta noite vertebrada
Com um humano sentimento

Num grito a sede tanta
Da imensa cidade vendida;
Aos estranhos haveres;
Do sentir do não sentir;
Meu pensamento condutor...

País pequeno, de edifícios antigos
Que aventuram nesta cidade
de contextual silencio.

Doi- me em ver- te tanto
Cheios de misérias:
-Meninos nas ruas,
Cães vadios,
e os velhinhos, e os doidos,
E a população imensa.

Falta esvaziar nossos olhos
Esta miúda gente
A que vos abraça
Sem nenhum património;
Cultural e social,
Da mente vossa varrida...

Auréd Ross

Primeiro CantoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora