crónicas do Negro

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Inconpletos versos da minha vida
Canto:

Aquele,
Assim como eu,
De cor e de pele,
Que nas escuras ceú,
Não livre, o nascer
Viu noite, viu dia
E o mar a descer,
Com a cara da gentia,
Gentia: viu mulher escrava
De sangue africano,
A vida tudo dava;
A um ser não humano,
Humano: o seu ventre forte,
de Negro, fica, a tinta
duma sombrosa sorte,
Quando a retrato pinta
Solidão da sua morte;
Morte que ninguém espera
Quando se está de vida,
Vida que nos é preferida
a Morte nesta terra.

Ser negro é não ser escravo,
Do mundo tão assim absorto!?
Mas vives, da vida, um cravo,
Que do campo vira ser,
Não livre, o nascer,
Só livre quando morto.

Máguas minhas em ti não lavo,
É poesia, da dor e contracção,
Quanto grito, quanto choro, quanto calo
Quanto amor no coração,
Que nessa batalha travo,
Por lutar, nas palavras, escrevendo
Falo
O quanto estás sofrendo...

Auréd Ross

Primeiro CantoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora