Capítulo 7

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*****🥀 MENTE e Iras 🖤*****

Faz cinco dias desde que assaltaram a escola na noite de sábado, misteriosamente não roubaram nada de valor, somente quebraram objetos, bagunçaram as salas jogando documentos, dando a entender que não queriam roubar algo de valor, mas estavam procurando por algo importante.

Minhas suspeitas eram certas e na noite de quinta o meu desabafo foi óbvio, com os pés no tapete felpudo, taça na mão, sentadas sobre o sofá de frente com a porta para a varanda aberta e a cortina revoando pela sala, escutávamos uma música baixa.

- Nada tira da minha cabeça que isso foi obra do Ulisses. - Retorno a seguir os meus instintos.

- Para mim, você está paranóica com essa certeza. - Flávia seguindo os seus.

- Não, eu acho injusto você falar isso na minha cara, depois de tudo que passamos juntas, dos maus bocados que enfrentamos por causa dele, das noites sem dormir...

- Eu te entendo, entendo o seu trauma, mas até o momento você só recebeu um buquê de flores, sem nome e nada desse cara aparecer, quem garante que é ele? - Flávia indaga.

- É ele, meu sexto sentido não me engana.

- Eu só acho que você devia desfocar um pouco. Aconteceu, passou e se rolar de novo eu vou te ajudar, vou estar com você, mas deixa abrir o leque de suspeitos, deixa a polícia resolver isso. Sabe o que acho?

- O que?

- Que se eu não me engano sábado passado você estava tendo uma noite muito agradável com o bonitinho das crianças e já faz dias que você não dá satisfação, não responde às mensagens dele.

- O problema é que eu quero evitar ter que contar o que aconteceu, não estou apta a consolar com pedido de sinto muito.

- Mas acha certo o cara ficar te enchendo de mensagem, preocupado e você esnobando, acha certo?

Flávia me olhou com os olhos de repreensão e odeio admitir que ela está certa, estou sendo injusta com ele que foi atrás de mim, pedindo desculpas.

- Prometo que vou ligar pra ele, não vai ser hoje porque já estou altamente embriagada com esse vinho barato que você comprou.

- Que vaca você, faz duas semanas que só eu que compro e ainda reclama!

Rimos e terminamos a noite vendo um filme juntas.

No primeiro horário da sexta de manhã mandei uma mensagem para Jefferson, gostaria de tomar o café da manhã com ele. Em poucos minutos recebi a sua mensagem de resposta e com um pedido de desculpa informou que estaria ocupado o dia todo em uma obra com fornecedores e que se podia reagendar para um almoço no dia seguinte. Confirmei com sim e emoticons, deixando que o dia passasse, desvinculando dos problemas.

Naquele dia decidi sair de casa sem o meu transporte, queria andar de metrô, colocar o fone de ouvido, ouvir uma boa música, me sentar na janela, avistar a cidade e me conectar com ela. Sentir aquela sensação estranha de passar pelas plataformas, como se estivesse em um filme de terror ou filme de ação que está prestes a acontecer uma catástrofe, isso tudo de alguma forma me faz sentir viva e apesar de estar dentro da minha bolha, me faz ver que ainda sou um pontinho infalível nesse mundo.

Combinamos de encontrar 12:30 em um restaurante na Av. Paulista e quinze minutos adiantado desci na Constelação, com o meu vestido amarelo, óculos escuros e o fone no ouvido deixando meu rastro pela calçada, até notar que estou quase de frente com o restaurante e ele na entrada do estabelecimento, me esperando como da outra vez, mas dessa vez ele parece estar mais confiante, sem olhar para o relógio, talvez porque eu me adiantei e não poderia deixá-lo esperando.

-Olá! - Estendi a mão com a intenção de cumprimentar e sentir seu toque, mas de imediato ele tocou os seus lábios em minha bochecha e senti os pelos do meu braço arrepiarem após a sua barba me tocar. Eu poderia ficar o dia todo ali sentindo o cheiro da sua loção pós barba, o seu toque, a sua respiração, mas me controlei para não demonstrar fraqueza e interesse recíproco.

Estendeu a mão e pediu que fizesse a entrada. Muito cavalheiro da parte dele. Nos sentamos em uma mesa perto do jardim, ao ar livre. Como entrada o meu pedido de desculpas e a minha explicação sobre o que aconteceu no sábado passado. Imediatamente vejo que ele não está muito interessado no que aconteceu, mas sim em estarmos juntos, no seu semblante o meu sexto sentido fez notar que algo estava errado.

No intervalo entre fazer o pedido e esperar o prato chegar conversamos sobre as semelhanças dos nossos dia a dia, da rotina de trabalho, até o momento de indagar o que está entalado na minha garganta, mas para isso ser mais convicto estendi a mão até a sua que apoiava o guardanapo, acariciei levemente e fiz a pergunta.

- Jefferson, você realmente está bem?

Por um momento eu pensei que ele havia assustado com meu ato carinhoso, mas o seu olhar fixo por mais de cinco segundos sem dizer nenhuma palavra me confirmou que algo realmente está fora do normal.

- É, está explícito, grudado na minha cara, não é? - Deixei que ele continuasse. - Eu estou um pouco aéreo devido a uma notícia triste que eu recebi essa semana.

- Quer falar sobre? - Continuei a acariciar a sua mão.

- Como te disse, sou Engenheiro e trabalho para uma construtora do Estado de Espírito Santo e a obra aqui na capital está finalizando, em poucas semanas será entregue, então supus que eu fosse transferido para uma outra construção aqui mesmo em São Paulo capital ou na região, mas não passou na minha cabeça que eles fizessem uma oportunidade única de trabalhar no Espírito Santo, Vitória. E não me vejo longe das crianças.

- Mas já conversou com eles sobre a possibilidade de trabalhar por aqui, recusar essa proposta, falar que é motivo familiar?

- Sim, eu conversei com o coordenador e ele foi claro em informar que as obras dessa construtora terão empreendimento somente no estado do Rio de Janeiro, em Curitiba/Paraná e Espírito Santo, nenhuma mais aqui. Não por enquanto. Juro, estou entre a cruz e a espada.

Talvez essa seja a oportunidade de ele saber um pouco mais sobre mim, de onde vim. Em momento algum questionamos sobre família e se dessa vez vai ser útil mencionar, então eu irei ser.

- Eu posso te ajudar!

- Como assim?

- Por acaso você conhece a construtora A.U? - Indago, na esperança que ele conheça.

- A.U empreendimentos imobiliários?

- Isso mesmo.

- Claro, é uma das construtoras mais requisitadas da capital de São Paulo, ela está no ranking de construção dos melhores edifícios sofisticado no estado.

- Exatamente, tenho meus contatos lá dentro e se quiser eu posso dar um empurrãozinho e você conseguir uma vaga.

Notei que o seu sorriso acompanha minhas palavras, o seu semblante modificou com a notícia, até mesmo a sua voz alterou, transmitindo confiança ao nosso encontro. Devido a essas alterações eu retirei a possibilidade de mencionar que o dono da empresa é o Antônio, meu pai.

*****🥀 MENTE e Iras 🖤*****

Olá mentes 😉, hoje completa duas semanas que Mente e Iras🖤 estreou e estou muito feliz com os quase 500 visualizações👏 e, só tenho agradecer a vocês que estão me apoiando. Quarta-feira estamos de volta com mais um capítulo inédito🙏🏻, não deixem de curtir🏅 ou comentar, estamos juntos nesse romance🖤.

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