Hogwarts: o lugar das maravilhas

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A viagem foi tranqüila, na medida do possível, de acordo com a modesta opinião de Uruha, desacostumado a fazer uso de carruagens controladas por monstros invisíveis a olhos inexperientes à morte.

Aoi relaxou conforme ia adquirindo a certeza de que aqueles monstros cadavéricos não iam se revoltar e tentar atacá-los. Os Trestálios eram mais confiáveis do que a aparência demonstrava.

Harry e Draco pareciam preocupados com o japonês moreno, afinal ele estava numa condição que exigia cuidados e voando de forma pouco instável.

A certo ponto da viagem Kouyou acabou cedendo ao cansaço, recostando-se em Yuu e adormecendo profundamente. O moreno inclinou a cabeça tentando observar a face calma do seu namorado. Sorriu diante da visão. Então suspirou e desviou os olhos:

– Isso é um delírio? – falou em tom baixo.

– Hn? – Harry fitou o japonês.

– O que está acontecendo com a gente. Não parece um sonho, sabe? É lógico demais. Queria saber se é um delírio, se estou ficando louco...

Potter sorriu:

– Você não está enlouquecendo. E isso não é uma ilusão coletiva.

– Então tenho que acreditar que magia existe e que eu... Posso estar...

O Garoto Que Venceu recostou-se no banco. Mirou Draco de relance percebendo que o loiro parecia estar cochilando também:

– Eu fui criado entre os Muggles. Tive contato com o mundo bruxo quando fiz onze anos, mas só abandonei os não-mágicos quando alcancei a maioridade. E isso faz algum tempo já. Por isso esqueci...

Aoi aguardou que o rapaz inglês continuasse a revelação, porém Potter apenas manteve os olhos verdes fixos na janelinha, perdidos na imensidão negra da noite ventosa.

Diante disso o japonês não viu alternativa a não ser indagar:

– Esqueceu...?

Harry sorriu sem encarar o outro:

– Esqueci. Como é viver sem magia, sem acreditar em coisas que parecem impossíveis. Viver de forma cética e racional, preso por leis que só podem ser provadas através de uma fórmula cientifica.

Foi a vez de Aoi ajeitar-se, percebendo vagamente a cabeça de Kouyou acompanhá-lo na ação, mantendo-se acomodado. O guitarrista mais velho mordeu os lábios antes de defender-se:

– Esse é o meu... Mundo. – hesitou um pouco ao referir-se assim a realidade que vivia – Nunca conheci outra forma de encarar a vida.

– Você nunca acreditou em algo que não pudesse ser provado pela física? Não houve um momento em que a fantasia era tudo que acreditava?

– Claro. – Shiroyama riu baixo – Mas até eu fazer uns seis anos. Então descobri que Momotaro não existe de verdade e youkais são legais em mangas. E em animes.

– Eu não sei como é. – a voz arrastada e arrogante roubou a deixa no exato momento em que Harry ia rebater. Tanto ele quanto Aoi fitaram o loiro que parecia adormecido até então, mas pelo visto estivera apenas de olhos fechados. Mantendo a mesma posição, Draco continuou. – Viver sem acreditar. Eu sou Puro Sangue, nasci no meio da magia mais elementar. Não posso aceitar outro modo de viver. Nunca. Por isso não compreendo os Muggles.

– Um dia vocês acreditaram em magia. – o Gryffindor afirmou manso. – Mas caçaram bruxos como se fossem enviados do mal. Então não deve ser tão difícil voltar a acreditar.

Shiroyama olhou de um para outro. Sua atenção foi roubada por Malfoy. O rapaz abriu os olhos cinzentos enquanto sacava a varinha e apontava para os japoneses:

ChizuruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora