O líder da banda

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A reação de Kai foi tão ruim quanto Uruha esperava que fosse. Tinha planejado todo um discurso para argumentar defendendo a verdade, mas as palavras fugiram diante do olhar incrédulo e meio raivoso do baterista.

— Não é mentira, Kai-chan... – Takashima falou hesitante, a voz foi morrendo até que o pranto o emudeceu por completo.

O loiro desabara. Sucumbira por tudo que estava passando.

— Kou-chan! – Aoi exclamou preocupado. Seus hormônios reagiram à visão e o moreno contagiou-se começando a chorar também. Sentiu-se profundamente culpado – Eu sou uma aberração...

Kai notou que a mão de Shiroyama começou a tremer entre a sua. Alternou olhares de um guitarrista para o outro, sem saber o que fazer diante daquela chuva de lágrimas.

— Não é uma aberração, Yuu. – Takashima soou firme – É um milagre.

O líder da banda engoliu em seco. Pensamentos terríveis passaram por sua mente, mas o pior de todos tinha relação com drogas. Era a única explicação que podia aceitar na situação. Kouyou e Yuu estavam se drogando.

Não era um fato realmente incomum no meio. Ele conhecia muitos músicos que não agüentavam a pressão e buscavam refúgio em anfetaminas e alucinógenos. Não poucos usavam isso como desculpa para conseguir inspiração.

Felizmente a PSCompany era muito rigorosa com seus artistas. Entre os amigos mais próximos nunca ouvira falar de alguém que recorresse a algo mais forte que sake ou mais prejudicial que cigarros.

— Yuu, Kouyou. Vamos procurar ajuda profissional. – Yutaka decretou.

— Ajuda profissional?– Uruha repetiu controlando o choro – Se procurarmos um médico Muggle ele vai querer internar o Yuu. Vão fazer testes, experiências! Não vou deixar que façam nada com o meu filho!

— Médico o quê? – Kai franziu as sobrancelhas.

Takashima explicou:

— Muggle. É assim que os bruxos chamam os não bruxos.

— Bruxos?! – Kai sentiu um pouco de medo. A história ficava cada vez pior.

Vendo a expressão do moreninho, Uruha indicou o sofá insinuando que o líder deveria se sentar. O convite foi delicadamente recusado. Yutaka preferiu continuar em pé, segurando a mão de Yuu. O guitarrista mais velho parara de tremer e de chorar. Agora os olhos avermelhados estavam fixos no amante.

— Isso começou há quase cinco meses. – o loiro foi explicando – Eu queria comemorar uma data especial e comprei uma bebida no 5th Hell. Mas não era apenas uma bebida. Aquela porcaria era uma poção.

— A Poção do Bom Parto. – Yuu forneceu o detalhe, fazendo o loiro sorrir.

— Sim, essa daí. Então há poucos dias atrás, quando a gente ia sair em turnê, esses dois bruxos apareceram contando uma história bizarra. O Aoi já estava se sentindo mal, só que a gente não acreditou.

— Eles explodiram a porta. E o celular do Kou. – o mais velho dos três voltou os olhos para Yutaka – E consertaram depois com magia.

— Nós mandamos eles embora. Então naquele dia que o Aoi ficou com vontade de comer takoyaki de brócolis eu acabei chamando eles outra vez. Eles vieram na mesma hora e nos levaram para Londres.

— Em trestalios. – Aoi completou mais empolgado – Monstros que as pessoas não podem ver, sabe? Só aqueles que já tiveram contato com a morte. Por isso eu vi.

A medida que os guitarristas iam contando aquilo tudo de forma um tanto confusa, Kai lutava para esconder seu horror. Ambos pareciam loucos. Completamente loucos, falando de magia, bruxos e coisas que não podiam ser vistas.

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