Não existem coincidências

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— Eu... – Hermione começou a falar. Mas nessa hora a porta se abriu. Madame Pomfrey saiu da sala de atendimento. Parecia exausta e mais velha, como se anos tivessem se passado dentro daquela enfermaria.

Sua expressão era extremamente séria ao olhar um por um daqueles que esperavam ali fora. Então ela fechou os olhos e respirou fundo.

— Está tudo bem – a enfermeira disse – Com os dois.

O alivio de todos foi tão profundo que a nuvem de tensão que os asfixiava se afastou, o ar ficou mais leve. Foi mais fácil respirar.

Uruha chegou a dar um passo em direção da mulher.

— Quero...

Mas Pomfrey ergueu a mão e o calou com um gesto. O japonês engoliu em seco. Draco e Harry se entreolharam. Hermione abriu e fechou as mãos de forma nervosa.

— Não pode vê-lo. A sala está instável ainda, depois de tudo o que fizemos. Aquele rapaz foi intoxicado por poções. Nem Severus conseguiu identificar todas – a velha mulher foi falando – Mas o purificamos da grande maioria. Há resquícios de feitiços. E fragmentos de uma das Imperdoáveis.

— Crucciatus – Draco sussurrou horrorizado. A maldição favorita de sua tia. Mas o professor não podia acreditar que a insana mulher tivera mesmo coragem de usar em duas vitimas tão frágeis. A loucura dela desconhecia limites.

— Meu jovem paciente está desnutrido e desidratado. Ele esteve em contato com tanta magia que evitamos feitiços mais elaborados na recuperação. Recorri a métodos Muggles para ter certeza da segurança do bebê – nesse ponto enfiou a mão no bolso do avental branco e puxou um estetoscópio, deixando-os ver o aparelho antes de guardá-lo novamente – Confesso que foi uma surpresa atestar o quão bem essa criança está, depois de tudo o que passou... e é então que precisamos tratar de algo delicado e importante.

Terminou a frase olhando para Uruha. O guitarrista se viu subitamente com a boca seca. Tentou engolir saliva, mas não conseguiu. Com o coração aos saltos perguntou a dúvida que era de todos.

— O que aconteceu com Yuu e nosso filho?

Papoula hesitou brevemente, como se estivesse reunindo as palavras mais apropriadas para expor o assunto.

— A poção que aquele jovem ingeriu foi feita em Avalon. Avalon é um mundo ao qual não pertencemos. Não posso dizer como é criada ou sobre seus efeitos e conseqüências. Mas algo óbvio desde o inicio foi a respeito da barreira mágica que envolveu o feto. Uma magia que, sem dúvidas, foi criada para proteger a criança de ser atacada pelo corpo do progenitor. Homens não possuem um útero. Muggles são ainda mais complicados: eles não têm magia natural – Pomfrey parou um segundo para respirar fundo – Pela forma como a proteção magica se desenvolveu ficou claro que deveria durar pelos nove meses de gestação. Mas...

Ela calou-se, cansada.

— Mas? – Hermione Weasley não queria soar tão ansiosa. Porém tanta coisa estava em jogo ali...

— Mas durante todos esses ataques sofridos o corpo do Muggle concentrou a magia para proteger o bebê. Seu corpo o protegeu inclusive da Crucciatus. Não encontramos nem um vestígio da Imperdoável na criança. Nada. Absolutamente nada. É um milagre.

Nesse ponto Draco ficou em pé. Anos de experiência com os Modernos não foram em vão. Compreendeu perfeitamente o que Papoula queria dizer, pois o desgaste fazia parte do principio de alguns feitiços que estudara.

— A proteção acabou mais rápido do que deveria – Malfoy deduziu, enquanto passava a mão pelos cabelos.

— Exato, professor – a bruxa enfermeira meneou a cabeça – A proteção que envolve o bebê está por um fio. Talvez dure horas. E não estou habilitada a dizer o que pode acontecer com a criança ou com o pai quando esse tênue invólucro mágico acabar.

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