Só podia complicar...

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Draco olhou longamente para a placa antes dar um sorrisinho torto:

— Pelo menos o quinto dos infernos não fica tão longe assim...

— Draco!

— O que foi Potter? Acertamos logo de cara, não? – o loiro perguntou arrogante, como se ele tivesse salvado o dia.

— Vamos fazer o seguinte: – Harry respirou fundo – Eu entro e você me espera aqui...

— Aqui? Sozinho? – Malfoy olhou em volta, parecendo dar se conta de onde estavam. Apesar de ser noite havia movimento e muita gente circulando pelas ruas.

— Vem comigo então. – o moreno consentiu – Mas deixe que eu resolvo tudo. Vamos fingir que procuramos algo.

— Isso é fácil. Não precisamos nem fingir. Como pretende descobrir pistas assim?

Potter tocou a fronte com o dedo indicador direito:

— Legilimência. Já sabemos que a poção não está mais aqui. Posso ler a mente dos funcionários e descobrir quem a levou.

— Até que enfim usou esse cabeção pra algo útil. – As respostas ácidas revelavam o quanto o loiro estava estressado. Não apenas pelas conseqüências de seu ato impensado, mas também pela perda de algo que desejava a muito tempo.

— Preparado? – os anos ensinaram ao Garoto Que Venceu sobre o perigo de rebater as tiradas maldosas do namorado. Aprendera a duras penas que era melhor ignorá-las.

— Hn. Vamos logo com isso.

Harry concordou com a cabeça e passou pela porta de vidro automática. Notou a organização da loja de conveniência, com tudo muito arrumado. Em seguida percebeu o rapaz atrás do caixa; com um manga nas mãos, mascando chiclete com a boca aberta.

O Slytherin entrou em seguida, prestando atenção em tudo. Nunca estivera em uma loja Muggle antes. Não pôde esconder que se impressionara com o que via: um mundo de objetos e coisas desconhecidas que a primeira vista pareciam interessantíssimas. Se tivesse tempo de ver tudo...

Mal teve esse pensamento e Harry seguiu para uma das prateleiras. Pegou um pote de lamen nas mãos e, enquanto fingia observar aquilo, concentrou-se nos pensamentos do rapaz que trabalhava no local.

Malfoy sentiu a levíssima alteração dos níveis de magia no lugar. Algo tão sutil que qualquer outro bruxo teria deixado passar sem perceber. Ele tinha a vantagem de estudar Feitiços Modernos, alguns tão apurados que exigiam destreza e treinamento exaustivos.

Depois de alguns segundos, Harry devolveu o pote e fez um sinal para Draco, indicando que deveriam ir embora. Tudo acontecera de forma rápida e silenciosa. O rapaz Muggle nem desconfiara de ter sido vítima de uma varredura mental mágica.

Na rua, Potter continuou avançando em direção à rua que dava acesso à estação de trem. A distância entre a Inglaterra era tão grande que tornava inviável o uso de Aparatação ou mesmo Chave de Portal. Entre os meios de transporte possíveis estavam a vassoura e o expresso. Optaram pelo último, mais demorado; porém infinitamente mais confortável.

— E então...? – Draco segurou sua curiosidade o máximo que conseguiu.

— Li a mente dele. A poção foi vendida a mais ou menos três horas atrás, para um cliente desconhecido. E esse vendedor roubou o dinheiro! – Harry soou meio indignado.

— O que? – o Slytherin ficou confuso.

— A poção não estava registrada. Então ele vendeu como se fosse um produto da loja e ficou com o lucro.

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