Prelúdio não orquestrado

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Não era Neville Longbottom que subia ao palco, revelando-se o anfitrião da noite.

Era Baltazar.

O Ministro da Magia.

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Draco perdeu a ação por alguns segundos. Para sua sorte o homem não dera sinais de tê-lo notado sentado mais ao fundo. Pelo contrário, a autoridade máxima do Ministério conversava com outra pessoa que Malfoy conhecia muito bem: Bellatrix Lestrange.

O homem falava e gesticulava, parecendo dar instruções. Sua tia apenas ouvia, sem desviar os olhos da face do Ministro em momento algum.

Draco, por sua vez, alternava as íris grises entre a cena sob o palco, as pessoas que começavam a tomar assento e o guarda-chuva encostado na parede. Já ativara o feitiço e houvera tempo o bastante para que seu marido fizesse a passagem. Aquilo só podia significar uma coisa: feitiços protetores que impediam qualquer pessoa sem o selo das trevas de entrar ali. Sabiam que era uma possibilidade.

Engoliu em seco.

Assim que fosse notado, não apenas por Baltazar; mas por Bella ou um dos convidados estaria encrencado. Não teria como escapar, já que sua passagem se perdera com o desaparecer da peculiar cera negra.

O que faria?

Coragem não era um dos pontos fortes de Malfoy. Justiça fosse feita: ele até pegara alguma das características Gryffindor que tão fortemente caracterizavam Harry... Impulsividade suicida não era uma delas, obrigado.

Mas que opções tinha?

Seria descoberto e estaria em maus lençóis. Se tentasse uma investida inconsequente colocava não apenas a si, mas aos reféns em perigo. Sua intuição apurada dizia que Shiroyama estava por ali, em algum lugar junto com as demais criaturas levadas. E Draco tinha um senso forte de responsabilidade não apenas com o japonês, mas com a criança ainda não nascida e que corria um risco assustador naquela noite.

Engoliu em seco com mais dificuldade.

Os olhos de tom mercúrio voltaram a fixar-se no guarda-chuva, como se com isso pudesse fazer Harry e os demais surgirem no meio da sala para ajudar no resgate.

Nada aconteceu.

Todos os convidados já estavam acomodados. Plaquinhas mágicas surgiram sobre as mesas cobertas com toalhas brancas. Elas seriam usadas para dar os lances milionários. O silencio pairou sobre o salão quando o Ministro da Magia tomou a frente do palco, enquanto Bellatrix se afastava para o fundo, e limpou a garganta chamando atenção das bruxas e bruxos milionários ali presente.

Malfoy sentiu seu coração disparar. Um gosto amargo tomou conta de sua boca. Estava sozinho. Estava maldita e completamente sozinho! O reforço não viria. A magia do leilão era forte demais para permitir a chave de portal ou aparatação.

O que ele faria?

Desespero fez com que se paralisasse na cadeira. O coração parecia bater na garganta. Fazia tempo que não sentia tanto medo!

Em vão tentou se acalmar: era um professor de Hogwarts, por Salazar! E, pelas barbas de Merlin, era uma das autoridades em feitiços modernos! Não estava indefeso. Em menor número? Sem duvida. Mas não era mais um garoto indefeso e desesperado para proteger os pais.

Era um homem.

E algo que aprendera com Harry Potter era a coragem de enfrentar as consequências de seus atos.

Muito estava em jogo. Muito. A vida de Shiroyama Yuu. A vida de uma criança inocente que carregava no ventre. O futuro de Takashima Kouyou e todos os demais integrantes da banda japonesa. O futuro de Draco Malfoy e Harry Potter. A posição de Hermione Weasley que tanto fizera para ajudá-los. A participação traiçoeira de Baltazar em todos aqueles crimes.

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