Apesar daquela dor nós temos que continuar

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— Ne. O que você acha disso? – Uruha sorriu – Sexo ocasional não é tão ruim assim...

Aoi olhou para o guitarrista loiro, integrante de sua banda, e respondeu com um outro sorriso. Concordou com um gesto de cabeça sabendo, no fundo, que pra ele nunca seria apenas sexo ocasional.

Nunca poderia classificar o amor como um ato ocasional.

O amor que sentia por Takashima Kouyou...

— - - - - -

Yuu abriu os olhos devagar. Respirava de leve sem conseguir pensar direito. Cada parte de seu corpo parecia ter sido torturada.

Arrastou-se lentamente pelo chão molhado até conseguir chegar às grades de um lado da cela e penosamente sentar-se, apoiando as costas nas barras de ferro. Não conseguiu medir quanto tempo demorou para fazer a simples tarefa, mas sentia que fora bastante.

Gemeu baixo.

Também não podia medir quanto tempo passara desacordado depois de ser vítima da bruxa chamada Bellatrix. Sabia apenas que perdera os sentidos ao ser atingido com o feitiço de tortura pela segunda vez. A abençoada inconsciência que o salvara do sofrimento.

Engoliu em seco e cobriu o ventre com cuidado. Aquela pobre criança inocente...

Apertou os lábios tentando conter um novo gemido. Foi impossível: junto com o lamento um soluço escapou. Logo as lágrimas vieram embaçar-lhe a visão e Yuu se entregou ao pranto. Aquelas lágrimas pareciam uma das únicas coisas quentes dentro de si, e escapavam lentamente, rolando pela face pálida e suja.

"Kou..."

A imagem do namorado serviu novamente como consolo. Um fraco e frágil consolo, mas algo que poderia manter a sanidade de Yuu naquele lugar abominável.

UxA – HxD

A segunda vez que o guitarrista moreno abriu os olhos não sentiu dor. Apenas uma estranha sensação de adormecimento em suas pernas e braços. Talvez por ter ficado tempo demais na mesma posição.

Ergueu a cabeça e escrutinou o céu através das fendas no paredão. Podia notar algumas estrelas. Era noite.

Segurou-se nas barras e ficou em pé. Quase caiu, meio tonto. E logo em seguida tomou consciência da fome. Quanto tempo fazia desde que comera algo pela última vez? Horas? Talvez mais de um dia.

Ele não fazia idéia de quanto tempo estava preso ali.

Gemendo baixo olhou na direção da sereiano, agora sabia que aquela era a raça da criatura de nome Anterrabae, nome usado várias vezes por Bellatrix, durante a seção de tortura. Mas ela parecia dormir.

Numa forma de esticar os músculos deu uns passos hesitantes, arrastando os pés pela água escura e fria. Respirou fundo duas vezes. Realmente não sentia mais dor, porém ela estava bem vívida em sua mente. Ele ainda estava perdido, longe de casa, das pessoas que conhecia, longe de Kouyou. Alias, estaria seu namorado bem? Teria acontecido algo com ele durante o ataque?

— Uru... – sussurrou, os pensamentos se confundiam entre a preocupação, o medo e a fome. Uma tortura física e psicológica pelo qual nunca tinha passado antes.

A incerteza era uma grande inimiga. Shiroyama não sabia se a pessoa que amava estava bem, não sabia se ele ficaria bem, qual seria seu destino, e tudo o que passaria até que fosse encontrado. Isso se fosse encontrado.

Qual seria o propósito daqueles bruxos ao raptá-lo? Iriam pedir algum resgate? Por mais questões e dúvidas que tivesse, a maior de todas a rodear sua mente era também a mais terrível: estaria Uruha bem? Estaria ferido? Quando o veria de novo?

ChizuruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora