Desespero

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Draco permanecia sentado na cozinha do apartamento de Aoi. Ouviu quando a porta da sala foi aberta e fechada. Passos indicaram que o recém-chegado caminhava direto para o quarto onde Takashima estava. Pouco se importou.

Tentava não pensar no marido. Harry tinha voltado há algumas horas atrás para a Inglaterra, pegando o expresso mesmo mal tendo chegado ao Japão.

Provavelmente estava esgotado por tantas horas de viagem, exausto por tudo que descobriram. Mas ambos sabiam que não havia tempo para pensar. A eminência de uma Guerra Mágica e a vida de dois Muggles inocentes estavam em jogo.

Quanta coisa estava acontecendo!

Recostando-se na cadeira, Draco virou mais uma página do enorme livro que fora buscar numa das bibliotecas mágicas de Tokyo. Observou a página amarelada e meio roída por traças nas pontas.

Harry iria expor tudo ao Ministério. Tudo. Não apenas ao Ministro da Magia inglês, mas também tentaria contato com o Ministério Japonês. Não podiam mais continuar sem o apoio das autoridades. Estariam limitados, quase de mãos atadas se continuassem escondendo o jogo.

Era hora de arcar com as conseqüências.

Virou mais uma página. Lia cuidadosamente os feitiços daquele livro velho. Um dos vários que conseguira emprestado, depois de usar a força de seu sobrenome. Não havia fronteiras no mundo mágico que barrassem o poder da ancestralidade de uma família, mesmo que estivesse ligada a magia negra.

Por isso conseguira exemplares raros. Mas Draco não se animava em procurar ali. Sua biblioteca particular e a de Severus tinham exemplares muito mais importantes. Assim que possível iria revirá-los atrás de um feitiço que unisse tudo o que estava sendo raptado.

Um unicórnio prateado... uma salamandra azul... a rainha dos sereianos e um Muggle grávido. Qual seria a conexão?

O Slytherin não conseguia se lembrar de nada que usasse uma combinação tão exótica e peculiar. Alias, era a primeira vez que ouvia sequer falar em um homem sem magia engravidar. Como poderia existir um feitiço ou um ritual baseado nisso?

Precisariam da criança? A Poção do Bom Parto deixaria algum resquício que pudesse ser utilizado? E a rainha? Roubar aquela criatura tinha realmente o propósito de causar outra guerra? Ou estaria interligado a algo mais profundo, mais sombrio?

O que poderia ser mais sombrio do que uma guerra?

Malfoy fechou o livro com força. Apoiou os cotovelos na mesa e descansou o rosto sobre as mãos. Sentia dor nas costas e dor de cabeça. Permaneceu naquela posição por alguns segundos, até um pensamento invadir sua mente com força.

Harry Potter.

Harry, seu marido, estava viajando para Londres sem um minuto de descanso. O moreno e seu maldito senso de lealdade. A maldição Gryffindor.

Ele estava fazendo todo o possível, não apenas para resolver o caso, mas para fazê-lo de uma forma que Draco não sofresse toda a punição da Lei Mágica. Não fosse mandado para Azkaban...

E fazia por amor.

Resignado, o loiro voltou a abrir o grande e pesado livro. Buscou a página onde interrompera a leitura e continuou lendo feitiço após feitiço.

UxA – HxD

Kai entrou no apartamento de Aoi, seguindo as orientações de Uruha, e seguiu direto para o quarto que os guitarristas dividiam. Bateu na porta e entrou.

— Kouyou...

Ia pedir licença, mas calou-se. Tivera a intuição de que algo ruim ocorrera ao ouvir a voz do loiro soando pelo celular. Porém apenas naquele momento dava-se conta da gravidade. A aparência do rapaz era péssima. Ele tinha olheiras ao redor dos olhos fundos e avermelhados. O rosto pálido tinha aspecto doentio, frágil.

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