Parece Irreal

97 14 0
                                        

A luz do sol entrou aos poucos pelas frestas da janela aberta. O quarto ficava num local privilegiado no apartamento. Uruha se considerava de muita sorte.

Pouco a pouco o guitarrista loiro despertou por completo, descobrindo que o amante também acordava ainda lentamente. Aoi estava preguiçoso, esticando-se todo entre os braços de Kouyou.

— Bom dia. – o caçula cumprimentou.

— Bom dia. – Yuu respondeu voltando a fechar os olhos.

— Como se sente?

— Descansado. – afirmou abrindo os olhos – E faminto!

Uruha riu:

— Acredito. Você dormiu o dia inteiro ontem e a noite todinha... sem comer nada.

— Então vamos caprichar no café da manhã. – foi dizendo e puxando as cobertas pra se levantar.

— Nada de extravagâncias. Você precisa se alimentar bem. Nosso filho... – a frase animada de Uruha morreu aos poucos. Ele sentiu-se um tanto sem jeito.

Shiroyama contagiou-se com aquela sensação. Ele pigarreou e apressou-se em sair do quarto:

— Vou tomar um banho.

O loiro assistiu aquela fuga. Respirou fundo antes de também se levantar e ir para o banheiro da suíte, deixando assim Aoi sozinho para ter mais privacidade.

U x A – D x H

O mais novo desligou o fogo e destampou a panela. O aroma estava ótimo. Não que ele fosse um mestre na cozinha, mas morando sozinho tivera que aprender a se virar bem.

— Misso... – aspirou o cheiro. Nada de cafés da manhã extravagantes. Iria obrigar o namorado a se alimentar de forma saudável, e pra isso nada melhor que comida japonesa.

Por mais que a situação fosse desconfortável, ele estava começando a curtir.

— Que sorriso é esse?

Yuu entrou na cozinha. Os cabelos estavam úmidos e a pele resplandecia. Ele exalava saúde e vivacidade. As faces levemente coradas acenderam alguma coisa em Uruha e o guitarrista mais alto teve que se segurar para não tomá-lo nos braços.

Acabou contentando-se em aproximar-se e beijar aqueles lábios irresistíveis.

— Hum... – o moreno gemeu no beijo – Você também ta com fome.

— Muita. – o sorriso aumentou, tornou-se malicioso, lascivo.

— Quer dar um jeito nisso? – Aoi provocou movendo o quadril e esfregando-se no namorado.

— Ainda pergunta? Mas não agora. – Uruha quase se arrependeu, mas foi firme na decisão. Aoi não podia ficar sem se alimentar. Ele era responsável por uma outra vida.

O mais velho apenas moveu as sobrancelhas. Deu de ombros e foi sentar-se a mesa. Os olhos escuros brilharam ao ver o que seu parceiro tinha preparado:

— Bom apetite! – separou uma boa porção para si e começou a devorar a comida.

— Ei, devagar! – Takashima deu uma bronca na brincadeira. Sentou-se a frente do moreno e serviu seu próprio prato – Cuidado para não engasgar.

— Estou faminto! – Yuu respondeu.

O outro guitarrista não respondeu. Começou a comer silencioso, lançando olhares ocasionais para seu amante. Foi assim que notou a empolgação ir diminuindo consideravelmente. A face antes ruborizada adquiriu um preocupante tom pálido. Yuu largou o par de hashi e afastou o alimento de si:

ChizuruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora