Quando o inesperado acontece

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A semana de folga passou incrivelmente rápida, assim como a última parte da nova turnê. Mais uma vez foram aclamados pelos fãs, como uma banda de sucesso consagrado. E, apesar dos outros membros desconfiarem um pouco das coisas, os fãs não estranharam em nada o jeito diferenciado de "Aoi" se apresentar no palco.

Pra legião que os adorava bastava a boa música, o fanservice ousado e seus músicos amados no palco. Eles viam o que queriam ver.

Uruha sentia os olhares preocupados tanto do vocalista quanto do baixista. E dos staffs. Eles Sabiam que tinha algo errado com o guitarrista mais velho, porém não conseguiam descobrir o que era. Jamais, em momento algum, poderiam adivinhar que aquele Aoi não era Shiroyama Yuu, e sim um bruxo inglês transformado.

Malfoy e Takashima concordavam que era absolutamente fundamental manter Yuu quieto em casa, principalmente quando os enjôos não se restringiam mais a parte da manhã. Era cada vez mais comum o rapaz passar mal com um cheiro qualquer mais forte. E, de uns dias pra cá, Yuu ia com mais freqüência ao banheiro.

"O feto está crescendo e pressionando seus órgãos.", Draco explicara. "Por isso sua bexiga pede pra ser esvaziada tantas vezes."

A gestação era algo tão maravilhoso, que mexia com outras situações. O bruxo explicara que até a respiração e digestão do japonês sofreria alguma influencia. Nada para se preocupar, claro. Seria esperado e natural. Se é que alguém pudesse chamar aquilo de "natural".

Depois que a turnê acabou e a presença de Malfoy não era mais necessária no palco, o loiro acabou afastando-se um pouco. Deixou claro que estaria a disposição para qualquer emergência, vigiando na Tokyo bruxa.

O the GazettE recebeu mais uma semana de férias, antes que continuassem com os planos de lançar um novo single. Ou melhor, dois, conforme os planos de Kai. Ele queria voltar com força total. Novas músicas e novo visual outra vez, pra alegria de Uruha que detestava ter que se preparar com aquele cabelo todo ondulado.

A única coisa que combinara, na opinião do loiro, era o cabelo mais curto de Yuu. Ficara tão kawaii no ensaio fotográfico. Aqueles detalhes no traje de oncinhas... Era perfeito. Não condenava a multidão de fãs enlouquecidas que reverenciavam o moreno majestoso.

Apesar dos planos de novos trabalhos, os músicos tentavam não pensar em trabalho na folga. O que, no caso de Uruha, Aoi e Kai, era muito fácil de acontecer.

Shiroyama achou que ia enlouquecer. Por que Takashima estava um grude. Comprara uma fita métrica e fazia questão de medir a barriga do namorado todos os dias pela manhã e antes de irem dormir. Quando notava um aumento de milímetros, fazia uma festa.

Festa fora aquela terça feira em que Yutaka chegara com um pacote. O primeiro presente da criança. Roupinhas amarelas, porque ainda não sabiam se seria menino ou menina.

Era estranho e incrível pensar no que acontecia.

Só não era impossível de acreditar. As mudanças estavam ali: pra quem quisesse enxergar. A barriga estava mesmo crescendo. Ainda não era nada gritante, mas já parecia mais do que um simples ganho de peso.

A própria aparência de Aoi ganhara um novo brilho. O moreno resplandecia saúde e vitalidade. O rosto pálido ganhara uma vivacidade saudável, invejável. Havia os enjôos (e Uruha se arrependia amargamente do dia em que sugerira gravar um desses momentos... Yuu ficara realmente furioso...) e a vontade de ir ao banheiro. As noites que Aoi vagava pela casa, e os dias que dormia por horas seguidas.

E os desejos estranhos, claro.

Yuu desenvolvera um gosto anormal por coisas doces. A maioria das suas vontades envolvia chocolates com avelã, marshmallows e chantilly. Combinações que resultavam em iguarias tão açucaradas que davam enjôos em Uruha só de olhar.

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