Capítulo 49 - Vivendo em Família - Parte 1

1.4K 84 29
                                        

O sol, manhã de flor e sal
E areia no batomFarol, saudades no varal
Vermelho, azul, marromEu sou cordão umbilical
Pra mim nunca 'tá bomE o sol queimando o meu jornal
Minha voz, minha luz, meu somTodo homem precisa de uma mãe(Todo Homem - Zeca Veloso)

Por Sakura

Eu nunca me imaginei mãe. Achei até, que o momento nunca chegaria. Mesmo sendo pediatra e amando cuidar dos meus pacientes, nunca achei que fosse pra mim e não acho isso ruim. Acredito que as mulheres escolhem o que elas bem entenderem. Não somos obrigadas a nada. Lutamos muito e continuamos a lutar para que nossa voz seja ouvida e a nossa vontade seja respeitada.

Contudo, Sarada chegou, veio sem que eu me programasse ou pedisse por ela. Foi um susto e me deixou fora de órbita. Eu pensei, refleti, meditei e escolhi que ela viesse. A Sakura de agora é bem diferente da Sakura de antes.

Tudo é pra Sarada e em prol dela. Quando eu a peguei pela primeira vez no colo, depois de um longo trabalho de parto, em que achei que nunca conseguiria, ela veio e me mostrou que eu podia isso e muito mais. Minha vida não é somente mais minha, minhas vontades muito menos e que o medo de errar é bem mais frequente a partir de agora.

Eu cheguei confiante do hospital quando a trouxe para casa, bastante otimista... até ser assolada por sentimentos de incertezas e dúvidas. Foi um turbilhão de sentimentos, que eu não conseguia controlar. Me olhava no espelho e sentia falta de Sarada na minha barriga, onde ela estava protegida num cantinho só dela e juntas compartilhávamos o mundo.

Em outros momentos me olhava no espelho e não gostava do meu corpo, odiava meu cabelo bagunçado, meus olhos remelentos, minhas olheiras e minha cara amassada de cochilos aleatórios.

Eu passava mais tempo com ela do que devia, vê-la dormindo e respirando me acalmava, mas me afastava de mim. Eu cheguei a ficar mais de trinta e seis horas sem dormir porque não conseguia sair do lado do berço, eu só tomei um banho nesse meio tempo porque Sasuke me fez prometer que não sairia do lado dela. Ele não saiu, mas eu cheguei ao quarto da pequena parcialmente ensaboada e mal enrolada na toalha porque eu a ouvi chorar e me culpei por não ter estado lá, quando o primeiro grito lhe escapou da garganta.

Meus seios doem se ela fica muito tempo sem mamar, ainda não consigo dormir direito, o choro dela me faz chorar e o riso dela... ah, o riso dela me faz chorar de felicidade. O puerpério é uma ebulição, cada mulher reage à sua maneira e tudo bem procurar ajuda nestes momentos. Afinal, saber que somos acolhidas e amadas nesses momentos é fundamental. Eu nunca estive sozinha, mesmo quando em muitos momentos achei que estivesse.

Karin foi muito importante nesse processo, ela ajudou a mim e ao Sasuke como amiga e profissional. Me ajudou a destruir barreiras que eu nem mesmo sabia que tinha. E ainda perdeu um óculos. Com cinco meses, Sarada pegou os óculos de Karin e não soltava por nada. Quando conseguimos tirá-los da sua mão, a pequena abriu um berreiro que fez até Karin chorar pela "maldade" que fizemos. Neste dia, Sarada "ganhou" seus primeiros óculos.

Mikoto também foi fundamental durante esse processo e me ajudou quando eu tinha as mais simples das dúvidas. Sempre incansável, mesmo ajudando duas mamães. Izumi teve o pequeno Ichiro dez dias após o nascimento da minha menina e Mikoto vem se dividindo desde então.

Tsunade vem visitar a neta sempre que pode e Sarada adora minha madrinha e Jiraya, pra desgosto de Sasuke. Fugaku e meu pai também são visitas recorrentes. Tão babões e competitivos, que tem hora que irrita. Eu tive de dar bronca nos dois, porque Sarada nunca conseguia dormir. Eles sempre ficavam brigando pra ver quem pegava a neta primeiro. Ainda continuam.

DaylightHistórias para pegar e não largar. Descubra agora