Capítulo 28: M U L H E R

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Mais uma vez, lá eu estava – deitado na cama dela. Acabara de acordar de uma noite ardente com Eloise, mal conseguia sentir minhas pernas e nem acreditava ela me permitira dormir em seu quarto, o tempo de seu corpo sacro que estava ao meu lado. Ela me deu o melhor bom dia do mundo, um beijo doce e picante. De repente estava em meu colo mais uma vez, movendo-se de modo lascivo, e assim fodemos como animais no cio, cada vez com mais luxúria, cada vez mais insaciáveis um pelo corpo do outro. 

— Vai me contar agora o que aconteceu com o seu telefone? – Eloise questionou novamente, enquanto eu me vestia para ir embora.

Claro que Eloise não deixaria essa história passar tão facilmente. De repente as memórias daqueles tempos sombrios voltaram, obviamente devido ao emaranhado de recordações que preferi recalcar do que enfrentar. Ela me olhava ainda deitada, com o corpo de lado, coberta por seus lençóis brancos de algodão egípcio. E o meu desconforto com o nosso relacionamento voltou, como uma paulada no meu estômago.

— Longa história – dei de ombros. — Para poupar o seu tempo valioso, fui roubado.

— Eu tenho todo o tempo do mundo – me puxou pelo cós da calça de volta para a cama, e para cima do seu corpo.

— Saí para encontrar uma amiga e na volta parei pra beber, decidi ir andando pra casa e fui roubado – contei como se não importasse muito, mas na verdade eu não quis dar a ela detalhes demais. Ainda estava magoado com a história da noite com Susan e Christopher, também não fiz questão que soubesse sobre a Sam.

— E vocês transaram – olhou-me nos olhos.

— Eu não diria...

— Não foi uma pergunta – ela soltou um riso breve e tirou seu corpo de baixo do meu. Eu poderia até estar enganado, mas tenho certeza que ela se sentiu um pouco incomodada ao saber disso. — De qualquer forma, – respirou fundo – vou providenciar outro pra você.

— Não, obrigado – levantei novamente afivelando o cinto. Depois fui calçar os sapatos.

— Como assim... você não quer? E vai fazer sinal de fumaça pra se comunicar?

— Eu não quero que você me dê mais nada – vesti o blazer. — Adoraria me virar sozinho a partir de agora, mas ainda preciso de um lugar pra morar, e se não for incomodo estou disposto a ser seu inquilino.

— Por que a mudança repentina? – Ela franziu a testa e se sentou, cobrindo os seios com o lençol.

— O nosso acordo era ter você como auxiliar financeira até a minha graduação – respirei fundo – e eu me graduei.

— Ainda tem o doutorado – ela se levantou e vestiu o roupão.

— Eu não quero sua ajuda, Eloise – pressionei os olhos com o polegar o indicador. — Não me entenda mal, sou muito grato por tudo e literalmente nunca vou poder te pagar, mas eu prefiro assim daqui pra frente.

— Aconteceu alguma coisa que você queira me contar?

— Aconteceu muita coisa, – comecei a sentir o mesmo mal estar que sentira na noite na qual Christopher me ligara pela última vez – mas eu não quero tocar no assunto.

Ela se aproximou, e ficou de braços cruzados na minha frente.

— Você quer romper o contrato? É isso?

— Claro que não – respirei fundo. — Mas de certa forma, eu já rompi.

— Até esse momento, você não quebrou nenhuma regra, Adam – segurou minha mão, mas eu mesmo não conseguia mais me segurar.

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