Geralt
Eu, que havia passado décadas da minha vida caçando monstros e enfrentando perigos inimagináveis, me vi rebaixado ao posto de guarda costas.
A rainha Calanthe de Cintra tinha sido bem contundente quanto a missão que estava me dando: a de proteger a neta que fazia aniversário. Aparentemente, todos os anos durante a referida comemoração ocorriam tentativas, até então frustradas de atentar contra a família real, sendo assim, a monarca insistiu para que eu cuidasse de Cirilla, não querendo correr o risco dos perigos enfim se concretizarem.
Não me restou escolha a não ser aceitar a missão. A recompensa era boa, o esforço era mínimo e eu já havia sido guarda costas de um bardo por muito menos.
Não foi difícil encontrar a princesa depois que a missão me foi dada. Bastou apenas uma visita em seu quarto para que eu pudesse memorizar o seu cheiro, para então acha-la sentada na sarjeta com crianças de rua. Ela vestia roupas masculinas e escondia os cabelos com um chapéu, e apesar de possuir os traços finos e delicados, além de enormes cílios, poderia enganar aos outros se passando por um menino. Mas não a mim. Senti o cheiro de sua pele e soube que se tratava de Cirilla no momento em que coloquei os olhos nela.
Caminhei devagar em sua direção, inclinado a leva-la de volta ao castelo onde contaria que eu estava ali sob ordens de sua avó, mas assim que os garotos me viram, se levantaram alarmados e correram na direção oposta, assustando a menina com seus gestos repentinos. Quando ela se virou e enfim me viu, fez menção de correr, no entanto, eu já estava próximo o suficiente, então envolvi seu pulso fino e delicado com meus dedos, tomando cuidado para não apertá-lo demais.
Aquilo só a agitou mais, pois começou a se debater para tentar se desvencilhar de minhas mãos. Não restando escolhas, a contive entre os meus braços fazendo deles uma espécie de prisão, em seguida, com facilidade a ergui do chão, colocando-a nos ombros.
A menina era pequena e delgada. Quase não sentia seu peso em cima de mim, mas em contrapartida, ela era obstinada. Não parou de lutar e se debater nem por um único segundo, dando-se por satisfeita apenas quando eu a coloquei no chão diante da presença de sua avó. Ela imediatamente retirou o chapéu, revelando os fios alvos e levemente ondulados.
- O que é isso ? Quem é ele ? - a jovem de cabelos translúcidos correu ao encontro da monarca como se eu fosse uma espécie de monstro.
- Princesa, eu já disse que fui contratado para te proteger.
- Não, não disse. - rebateu no ato - Você apenas disse que "precisava me levar de volta", e quando me recusei a ir você simplesmente me jogou nos ombros como um bicho morto e me arrastou para cá.
Bom, confesso que comunicação não era exatamente a melhor das minhas virtudes, e talvez e pudesse não ter sido tão claro quanto eu gostaria sobre as minhas intenções. Quando fui abrir a boca para me defender, a rainha se pronunciou.
- Já que não foram capazes de se apresentar - revirou os olhos e soltou uma bufada de ar pelas narinas - Cirilla, este homem é Geralt de Rívia. Eu o chamei para proteger você.
- Me proteger de que ? - a pequena arqueou as sobrancelhas e balançou a cabeça pois nada daquilo parecia fazer sentido em sua mente jovem.
Eu fiquei parado e apenas as escutava.
- Hoje é seu aniversário, querida, e como bem sabe, todo ano nesta mesma data cavaleiros de reinos rivais tentam estragar as festividades.
- E eles nunca conseguem...
- Então - Calanthe continuou falando, desaprovando a maneira como havia sido interrompida pela neta. - Eu e seu avô decidimos que não arriscaríamos sua vida mais uma vez.
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Lei do Destino [Reta Final]
FanfictionCirilla acordou novamente assustada, com a respiração entrecortada e seus dedos quase rasgando os lençóis. Um nome subia por sua garganta e se perdia em seus lábios, caindo no esquecimento. Há várias noites a princesa sonhava com uma figura mister...
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