Olhos de Gato

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Cirilla

- Geralt! - gritei a plenos pulmões assim que retornei de mais um pesadelo onde eu m encontrava com o fio de uma espada pressionado em minha garganta.

Quando minha mente saltou do mundo dos sonhos para a realidade, a primeira coisa que fiz foi chamar pelo bruxo. Não obtendo resposta, apoiei os cotovelos no colchão e me levantei ainda sonolenta. O quarto estava banhado na claridade do dia, os pássaros cantavam do lado de fora e uma algazarra no andar de baixo revelava que eu havia dormido demais. Busquei o Geralt pelo cômodo, dirigindo a atenção ao local onde ele tinha se deitado para dormir, de frente para a cama, contudo, não havia um homem de cabelos brancos repousando no chão, nem mesmo o travesseiro que ele havia usado estava lá, e foi então que me dei conta que eu estava abraçada com ele.

Olhei confusa para o amontoado de penas de pato envoltas em um tecido fino e encardido, e em seguida o soltei rapidamente enquanto chacoalhava a cabeça a fim de clarear meus pensamentos. Se o bruxo não estava no quarto, provavelmente devia estar bebendo na taberna, pois depois de todo o perigo que corremos, ele não seria capaz de me abandonar em uma estalagem.

Ou seria?

Geralt poderia ter conseguido um trabalho que lhe pagasse bem, e mesmo depois de minha avó ter oferecido muito dinheiro a ele em troca de minha proteção, o riviano poderia ter concluído que eu não valia o seu tempo e todos os riscos que eu trazia.

Eu poderia passar o dia naquela cama desenvolvendo teorias que apenas a minha imaginação poderia confirmar, então ao invés disso, resolvi descer para apura-las. Me levantei, e quando me abaixei para pegar minha capa e calçar os sapatos, me deparei com uma pilha de roupas desconhecidas. Em cima do monte havia um bilhete escrito apenas "Cirilla" em uma caligrafia trêmula e deplorável.

- "Cirilla" - eu li com desdém, soltando uma risada. - Que tipo de bilhete é esse? Se eu dependesse de Geralt para me dar instruções, eu com certeza morreria.

Peguei as roupas e as coloquei em cima da cama. Em seguida, me despi, dobrando o vestido e minhas roupas de baixo e os deixando em cima do travesseiro. Minha pele nua era desprovida de qualquer marca, mancha ou até mesmo queimadura de sol. Muitos poderiam dizer que ela era perfeita, mas aquele era somente o preço de ter nascido com sangue real, e eu lia o suficiente a ponto de reconhecer meus privilégios.

Com o traseiro apoiado no colchão, deslizei a calça preta de couro pelas pernas e fechei-as na cintura. Elas eram justas mas ao mesmo tempo não reprimia meus movimentos. Logo a seguir, passei a cabeça pela gola da camisa branca, seguida pelos meus braços e a vesti sem grande esforço.

Analisei o que ainda restava em cima da cama e dirigi a atenção ao corselet. A peça também parecia ser feita de uma espécie de couro, mas ao contrário da calça, era marrom. Envolvi minha cintura com ele e puxei o ar para conseguir fecha-lo, deixando as abotoaduras na frente, e agradeci por não ser tão apertado quanto os espartilhos que eu usava no castelo. O acessório era posicionado logo abaixo dos meus seios, evidenciando-os por baixo do tecido fino da camisa branca .

Coloquei as braçadeiras, prendendo-as nos braços com um pouco de dificuldade, para em seguida calçar as botas de cano alto que haviam sido deixadas para mim. Quando já não existia mais outra peça, coloquei as luvas e passei as mãos na frente do corpo, alisando minha vestimenta.

Não era a primeira vez que eu usava calças, já que por muitas vezes eu havia me disfarçado de garoto para poder escapar da rotina e obrigações no castelo, entretanto, aquilo era diferente, pois eu não estava me vestindo de menino, e tinha certeza de que aquelas roupas justas evidenciavam absolutamente tudo em meu corpo.

Lei do Destino [Reta Final]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora