Ela está morta, e agora?

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Bárbara López

- A Mariana... ela... - Eu intercalava os olhares para o corpo da minha irmã e para os olhos de Macarena.

- Bárbara, ela está morta. E se não subir nesse exato momento estará também. - Ela se vira e vai abrindo espaço com as mãos, afastando as pessoas para longe dali. - Me ajudem aqui, invés de filmar como um bando de adolescente. - Me virei e comecei a caminhar até a minha irmã caida sem vida no chão, tirei o seu colar e dei um beijo na sua testa. Uma lágrima minha caiu na sua bochecha e escorreu até a orelha.

- Me desculpa, mana. Eu devia proteger você... Me desculpa... - Dou mais um beijo na sua testa e volto para o lugar que eu estava antes.

- Suba no teto do carro e nós vamos pegar você. - Macarena diz com o olhar de súplica. Me dirijo até o capo do carro, com um pouco de dificuldade eu subo e logo subo no teto. Macarena com a ajuda das pessoas que estavam ali estende as mãos para mim. Eu seguro nas suas mãos e sou puxada para cima. Quando meus pés alcançam o chão minhas pernas perdem a força e os braços de Macarena me segura. - Você está bem ? - Ela passava as mãos pelos meus cabelos me analisando. Sua voz estava irregular, estava trêmula.

- Cortei o braço com o vidro e minha irmã acaba de morrer, então não. - Falo sem ter noção de minha grosseria. - Me desculpe... - Ela me abraça afagando meus cabelos. Seu coração batia rápido e talvez fosse a adrenalina mas sua respiração estava descompassada também.

- Sente o cheiro da gasolina ? - Aceno com a cabeça. - O carro pode explodir a qualquer momento, então precisamos sair daqui.

- Eu não vou sair daqui sem a minha irmã. - Falo me afastando de seu corpo.

- Nem eu queria sair daqui sem ela, mas não pode voltar lá. Não tem força e muito menos tempo para tirar ela de lá. - Ela segura o meu rosto com as mãos. - Entenda que não vai dar. - Com um empurrão de dentro para fora tiro suas mãos do meu rosto e volto caminhando para o carro. O cheiro de gasolina era quase insuportável, não tinha muita fumaça. O que era um bom sinal, mas logo haveria e isso prejudicaria o pouco tempo que me resta.

Pulo em cima do teto do carro e abençoo a Adisin por ter falado para mim vir de sapatilha e não salto alto. Vou até o corpo da minha irmã e começo a tentar puxar, mas ela mal se movia. Meu corpo não tinha forças o suficiente para tira-la dali. Em meio de minhas forças mais duas mãos aparecem e pegam o corpo da minha irmã.

- Continua teimosa. - Macarena fala sem emoção me ajudando a puxar o corpo de Mariana. Com muito esforço conseguimos tira-lo do lado do carro e a levamos para um lugar seguro, a ambulância chegou quase ao mesmo tempo dos repórteres, fizeram perguntas desagradáveis e que me faziam voltar a chorar de cinco em cinco minutos.

- A Sra. López já sabe onde será o funeral da Srta. Mariana ? - Uma das repórteres fala, Macarena que até então estava abraçando meu corpo de lado se levanta e vai até onde a multidão de microfones e câmeras estavam.

- Acho que já deu de perguntas, não é ? Vocês não tem empatia por ela ? Ela acaba de perder alguém muito importante, então façam a gentileza de se retirar, ou terei que fazer eu mesma ? - Aos poucos a multidão foi se dispersando. Macarena volta para mim, com uma expressão preocupada e triste ao mesmo tempo. - Você tem a antropofobia ainda ? - Ela pergunta se sentando ao meu lado da parte de trás da ambulância e ajeitando o cobertor pelos ombros.

- Sim, eu tenho ainda. A Mariana sempre me ajudava com crises, falava por mim nas reuniões e quando volt... - Eu me interrompo. - Acho que não quer saber. Desculpe.

- Não, não, pode continuar, por favor. - Seu sorriso tentava se abrir mas não o fazia, talvez por empatia ou ela talvez estivesse tão magoada ao ponto de poder fazer-lo.

Azul Oceano - BarbarenaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora