Bárbara López
- E você disse isso pra ela ? - Mariana pergunta me olhando com o seu cômico olhar de julgamento.
- Disse, fiz mal ? - Perguntei colocando o garfo e a faca sobre a toalha. Estávamos arrumando a mesa para o jantar que seria " a volta " da Mariana.
- Claro que sim, idiota. Você não só foi incoveniente, como foi uma completa imbecil. Como que você me questiona a menina por não ter falado sobre o aborto, sendo que ela tem uma filha que veio de um estupro, Bárbara? Você tem o que na cabeça? Minhoca? - Haviam se passado dois dias desde que eu tinha feito a aparente maior burrice da face da Terra. - Deve ser minhoca, porque neurônios funcionando não é. - Mariana leva a mão ao rosto e balança negativamente a cabeça.
- Na hora não me pareceu algo ruim, eu só quis saber. - Olha me olha por cima da mão e estala a boca.
- Por isso que a nossa mãe falava para pensarmos duas vezes antes de falar alguma coisa, anta. Sério, eu não consigo acreditar que você fez isso, garota.
- Você falando assim parece ser pior. - Mariana bufa e vem até mim. Para na minha frente e pega o meu rosto com as duas mãos.
- Você é a pessoa mais inteligente que eu conheço, então preciso que use os neurônios da sua cabeça. É PIOR DO QUE PARECE. Você não sabe distinguir em que assunto você pode colocar o nariz, e nesse assunto você não podia. Não enquanto ela não abrir a porta dele pra você, então antes que você perca a sua namorada de vez, vá atrás dela. Rasteje e implore por perdão nos pés dela. Porque o que você fez, foi a maior burrada do século. Entendeu ? - Ela mesma mexeu a minha cabeça para cima e para baixo. - Entendeu né.
- E o que você acha que eu posso fazer ? - Mariana solta o meu rosto e eu massageio as minhas bochechas doloridas.
- Eu não sei, compre flores e deixe ela despedaçar. Deixa ela te xingar, só não faça mais um terço do que você fez no almoço. Porque sinceramente, maninha, você foi uma completa escrota. - Fecho meus olhos e pego a chave do meu carro.
- Eu não sei o que eu vou fazer, mas eu tenho que fazer alguma coisa.
- Ainda mais que você falou que ela tem aquela amiga chamada Thea. Essa menina parece que lida com decepções amorosas com balada, e tenho certeza que a próxima parada da Macarena é a balada gay mais perto que tem. - Engulo seco e me apresso a ir para a porta. - Volte até a hora do jantar, e antes de todo mundo!
Saio de casa sem responder e entro no meu carro o mais rápido possível. Eu não sabia o que fazer para ela me desculpar, e nem sabia se ela iria me desculpar. Ela provavelmente não iria querer olhar para a minha cara. Mariana tem razão, eu fui uma completa idiota. Eu não tinha que ter me metido nisso, quando ela estiver confortável para me dizer, ela vai dizer. E esse momento pode nunca chegar e eu não tenho que cobrá-la de nada. Eu não sou ninguém para cobrar isso e nem nada dela.
Coloquem essa música, por favor.
Parei no sinaleiro e a chuva começou a cair tão forte que os limpadores mal davam conta de tanta água. Parei na floricultura que estava quase fechando e comprei um buquê de girassol, sabia que ela gostava e se ela quisesse, poderia pisar em cima das flores. Poderia me bater com elas, eu só quero que ela me perdoe.
Me molhei um pouco até voltar para o carro e voltei a dirigir para a casa dela. O caminho foi lento devido a alta chance de bater o carro, mas por fim eu cheguei. A casa estava acesa e eu via a Lara e a Macarena sentadas no sofá, assistindo qualquer coisa na TV.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Azul Oceano - Barbarena
RomansaAos 14 anos Bárbara López e sua família sofreram um grave acidente de avião, com a queda da aeronave Bárbara e sua irmã mais nova, Mariana, perderam o pai e a mãe. Seu pai era dono da maior empresa do México, a L-Corp. Nessa trágica noite, uma menin...
