Capitulo Quatro

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Millie

Eu não acreditava na cena que estava na minha frente.

Finn, Sadie, Maddie e Lilia estavam imóveis, os rostos pálidos sob a luz fraca do pátio.

Tinha sangue. Sangue de verdade. Espalhado pelo chão, respingando no concreto, escorrendo até os tênis de Caleb.

E ele...

Ele estava ali, parado, com as mãos tremendo.
Os olhos arregalados, o peito subindo e descendo num ritmo insano. E, nas mãos dele, uma arma.

O cheiro de ferro e pólvora me fez engasgar.
No chão, um corpo.
Um menino, rosto virado pro lado, um buraco na têmpora.

O mundo pareceu se dissolver.
O som da festa ainda batia ao longe, abafado, como se viesse debaixo d'água.
O cheiro de álcool ainda pairava no ar, misturado ao suor, à fumaça, e agora ao sangue.

E, acima de tudo, o céu começava a desabar.
Primeiro um trovão distante, depois as primeiras gotas caindo sobre o concreto — grossas, frias, impiedosas.

A chuva vinha com força, lavando o chão, misturando-se ao sangue que escorria, diluindo o vermelho em pequenos rios escuros que corriam até o ralo do pátio.

— O que... o que tá acontecendo aqui? — Finn perguntou, a voz quebrando. Ele cambaleou um pouco, e eu percebi que ainda segurava um copo pela metade.

Caleb deu um passo pra trás, a arma pendendo dos dedos.

— Não é o que vocês tão pensando! — gritou. — Eu juro, não é!

Sadie puxou Lilia pelo braço. Maddie levou as mãos à boca borrada de batom. E eu fiquei ali, sem ar, o coração e a cabeça rodando.

— Caleb... — comecei, mas ele gritou de novo, mais alto.

— VOCÊS TÃO COM MEDO DE MIM? EU NÃO FIZ NADA! FOI SEM QUERER!

A arma caiu da mão dele, batendo no chão com um som seco, fazendo todos recuarem.

— Sem querer? — Finn explodiu, a voz embriagada, rouca. — Você atirou na cabeça de alguém "sem querer"?!

Caleb passou as mãos no rosto, o corpo inteiro tremendo.

— Eu não... — a voz dele falhou. — Eu não sabia que ia disparar. Eu só... eu tentei tirar da mão dele, e...

Ele olhou pro chão. O corpo. O sangue. E pareceu desabar por dentro.

Meu coração batia tão forte que mal conseguia respirar. Dei um passo hesitante pra frente, ignorando os sussurros de Sadie atrás de mim.
Precisava ver. Precisava saber quem era.

Me abaixei. O rosto do garoto estava virado, manchado de sangue seco.

Quando virei a cabeça dele, meu estômago virou junto.

— Meu Deus... — murmurei, recuando. — É o Logan...

O nome pareceu congelar o ar. Lilia tapou a boca, Finn arregalou os olhos. E Caleb fechou os punhos, como se o nome fosse uma faca entrando no peito.

— Caleb, o que você fez? — perguntei, tentando me aproximar.

Finn me puxou de volta, o olhar cravado no amigo. O hálito dele cheirava a vodka.

— Fica longe, Millie.

— QUE MERDA, FINN! — Caleb gritou, empurrando ele com força. O sangue que ainda escorria das mãos sujou a camiseta de Finn, manchando o tecido preto de vermelho.

Finn olhou pra mancha, depois pra Caleb, o rosto fechado num misto de nojo e raiva.

— Não encosta mais em mim — rosnou, limpando a mancha com as costas da mão.
O clima ficou sufocante, pesado, e tudo parecia girar levemente.

Como tudo deu errado - Fillie Onde histórias criam vida. Descubra agora