Capitulo Vinte e Três

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Quando cheguei na barraca, Finn já estava lá. Sadie e Noah também, claramente prontos pra escapar.

— Ai, que bom que você chegou — Sadie disse aliviada. — Eu e o Noah vamos assistir a natação.

— Pegaram os caras mais gostosos da escola pra nadar de sunga — Noah completou. — A gente não pode perder isso.

— Vocês não prestam — ri, já pegando o avental.

— Divirtam-se — Sadie piscou. — Qualquer coisa, a gente volta.

Eles saíram praticamente correndo. Fiquei sozinha com Finn.

Prendi o cabelo num coque e amarrei o avental, sentindo aquele clima estranho se instalar. Finn estava encostado na lateral da barraca, mexendo no celular.

— O futebol empatou — ele disse, sem me olhar. — Foi pros pênaltis. Ares ganhou. O Caleb acabou de me avisar.

— Que merda... — respondi, respirando fundo. — A gente precisa virar isso. Tomara que Atena ganhe na natação.

A barraca ainda estava vazia. Nenhum cliente à vista. Só o cheiro da massa, o barulho distante da torcida e nós dois. Finn voltou a mexer no celular.

Foi impossível resistir.

— Então quer dizer... — comecei, pegando a concha e espalhando a massa na chapa quente — que você me evita por duas semanas inteiras... e ainda pede pra Sadie me escalar pra trabalhar com você?

Finn levantou a cabeça na mesma hora.

— O-o quê? — franziu a testa. — Eu não pedi—

Parou no meio da frase entendendo tudo.

— Ela te contou. — Soltou o ar pelo nariz. — Ruiva desgraçada.

Passou a mão pelo cabelo, claramente pego de surpresa.

— Eu não tô te evitando — disse, rápido, como se precisasse se defender.

— Ah, não? — provoquei, fechando a máquina do waffle com um estalo. — Então por que você responde seco, se afasta e age como se eu tivesse feito alguma coisa errada?

Ele se aproximou do balcão, encostando de lado.

— Você sabe por quê.

— Sei? — ergui a sobrancelha, sem tirar os olhos dele.

— Sabe — respondeu, a voz mais baixa. — Depois daquele dia no bar do Frank... eu disse o que sentia. Você namora. Eu entendi o recado. Então parei de tentar.

— Isso não significa que a gente não possa ser amigo — insisti, a voz baixa demais pra barraca vazia. — Não significa que você precisa me afastar desse jeito.

Finn me encarou por alguns segundos. Então deu um passo à frente. Depois outro. Eu recuei sem perceber, até a borda da mesa bater na minha coxa. Não tinha mais para onde ir.

— Eu preciso... — ele disse, a voz firme demais pra ser calma. — Porque quando eu fico perto de você assim... eu paro de pensar direito.

Ele apoiou as mãos na mesa, uma de cada lado do meu corpo. Não me tocou, mas me cercou. O espaço entre nós ficou curto, o ar quente.

— É impossível ser só seu amigo, Mills... — ele murmurou perto do meu ouvido. — Porque eu tenho vontade de fazer coisas com você que um amigo nunca faria. E eu me afasto porque, a cada dia, fica mais difícil me segurar...

Meu cérebro simplesmente desligou. Fiquei ali, parada, sentindo o perfume dele tão perto que parecia invadir meus pensamentos, tentando entender como aquele garoto conseguia me desmontar em segundos.

Como tudo deu errado - Fillie Onde histórias criam vida. Descubra agora