Capitulo Quatorze

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A imagem mostrava nós oito no quintal da casa da Iris, na festa de sexta. O exato momento em que eu tinha passado mal e chamado todo mundo lá fora. Mas essa foto... tinha sido tirada por alguém escondido atrás das árvores, no meio do bosque que cercava a casa. O zoom deixava tudo um pouco embaçado, mas não o suficiente pra esconder nossos rostos. Estávamos ali. Claros. Expostos.

Tão perto. A pessoa estava tão perto da gente.

— Puta merda... — minha voz saiu.

Caleb arrancou a foto da minha mão num movimento seco. E no segundo seguinte, o rosto dele simplesmente caiu. Não era raiva. Não era impaciência. Era medo. Medo real. Medo que eu nunca tinha visto nele.

Antes que eu pudesse responder, ouvi passos rápidos se aproximando. O grupo abriu a porta do corredor num baque, apressados, como se achassem que eu tinha corrido pra brigar com o Caleb do jeito que saí da mesa.

Finn chegou primeiro. Parou assim que viu nossas expressões. Sadie, Lilia, Maddie, Noah e Gaten vieram atrás. Cada um com um olhar que foi ficando mais tenso conforme se aproximavam.

— O que aconteceu? — Finn perguntou.

Eu virei a imagem pra eles e consegui ver o exato momento que eles perceberam a gravidade.

— Essa pessoa tava ali? Atrás da gente? — Sadie sussurrou.

— Aonde vocês acharam isso? — Gaten indagou confuso.

Caleb não disse nada. Abriu o armário de novo, dessa vez com movimentos bruscos, empurrando tudo pra ver se havia mais alguma coisa.

Um papel estava colado no fundo. Ele puxou, o barulho da folha sendo arrancada rasgando o silêncio do corredor. Caleb respirou fundo. Me olhou, depois olhou o grupo e virou o bilhete pra nós.

As letras eram recortadas de revistas, coladas tortas, desalinhadas, cada uma de um tamanho diferente. Dava pra ver até restos de cola secos nas bordas, como se tivesse sido feito às pressas.

 Dava pra ver até restos de cola secos nas bordas, como se tivesse sido feito às pressas

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— Que ótimo, era disso que a gente precisava — Finn disse.

Eu tentava respirar, mas era como puxar ar por um canudo entupido. Caleb olhou pro bilhete mais uma vez. Depois olhou pra nós, o semblante preocupado.

— Me desculpem. Todos vocês. — A voz saiu rouca, sincera, quase quebrada. — Eu... eu perdi a cabeça. Eu acusei vocês de coisas absurdas. Eu disse merda atrás de merda, e não tinha direito nenhum. Vocês sempre estiveram comigo. Mesmo quando não deviam. Mesmo quando eu... — ele engoliu seco — quando eu fiz cagada.

Finn desviou um pouco o olhar, como se tentasse esconder o choque por ouvir isso justamente do Caleb.

Caleb continuou:

— Eu tô com medo. Tá? É isso. Eu tô com medo pra caralho. Isso não é brincadeira. Esse... esse stalker maldito sabe o que a gente fez, não parece um blefe. E eu... eu fiz tudo errado hoje. Então... desculpa. De verdade.

Como tudo deu errado - Fillie Onde histórias criam vida. Descubra agora