Duas semanas se passaram e graças à generosidade do senhor Mackenzie algumas dívidas foram pagas. Dividi o que restou para guardar para futuras emergências e para comprar alimentos já que a partir de agora os fornecedores só nos venderiam mediante pagamento imediato. Isso fez com que nossa cozinha continuasse modesta, porém um pouco mais consistente. Além de vegetais para a sopa, tinhamos carne de vez em quando, e farinha para pães.
Além da administração de tudo ali, agora eu também trabalhava na fazenda. Trabalho braçal e pesado, ajudando na irrigação, na limpeza e controle de pragas e ervas invasoras. Agnes ficou encarregada dos serviços da casa, limpeza, gerenciamento e compras do que fosse - estritamente - necessário. Madalena, a cozinheira, a ajudava na tarefa. Agnes protestou quando a incubi desse cargo, dizendo que eu deveria cuidar da casa e ela da plantação, mas eu fui firme em minha decisão, pois se eu quiser levantar esse lugar e mantê-lo, preciso por a mão na massa, ou seja, na terra.
Consegui comprar alguns animais também. Um casal de porcos e algumas galinhas, poucos pois a comida ainda era escassa para nós e não conseguiríamos alimentar uma grande criação. Situação que, tenho fé, será passageira.
Agora falta pouco para o pôr do sol e sinto-me mal. Receio estar adoecendo devido ao trabalho excessivo e a alimentação ruim, pois o apetite tem me abandonado nas últimas semanas. Mas mesmo fraca e cansada cumpri hoje mais um dia de trabalho e agora recupero as forças na sala de estar enquanto repouso um momento no sofá. Porém, meu sossego logo é rompido quando alguém adentra o recinto a passos rápidos.
-- Senhorita! Senhorita Missy! -- Agnes chama, apressada -- Está acordada?
-- Sim, estou. O que houve?
Levanto-me pesadamente lamentando a interrupção de meu descanso.
-- Erik voltou, senhorita. Disse que soube do que houve e quer lhe falar imediatamente. Eu pedi que voltasse amanhã mas ele está impaciente!
Erik é um dos capangas de meu pai. Os outros eu dispensei semanas atrás, porém esse estava fora na ocasião e não consegui me livrar dele. Bom, então será agora.
-- O leve ao meu escritório em cinco minutos, por favor.
Agnes assente e sai dali depressa enquanto eu sigo até o cômodo citado, parando brevemente em meu quarto para lavar o rosto na intenção de espantar a sonolência. Quando estou acomodada na poltrona atrás da grande mesa de mogno, Agnes trás o homem até ali e se retira após.
Ele entra pisando forte e rápido. Olhos castanhos raivosos e fixos em mim.
-- Soube que dispensou os homens do seu pai. Vai me dispensar também?
Sem cumprimentos, sem o mínino de educação, esse sempre foi o pior dos homens dele.
-- Você sabe que sim, não sei nem porque se deu ao trabalho de vir até aqui.
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Meu querido Senhor Mackenzie - Livro 2
RomanceNaquela remota cidade da Escócia todos sabem que a senhorita Kedard é uma mulher bela, arrogante e interesseira, capaz de fazer qualquer coisa para conseguir um casamento vantajoso. Mas... alguém realmente conhece Missy Kedard? Alguém sabe qua...