"Sacrificar a felicidade pela felicidade de quem se ama, e de longe o mais puro tipo de amor. "
Itachi Uchiha.
Sakura Haruno
O único som que eu ouvia desse lado era o de água... pingando em algum lugar que eu não conseguia ver. Tudo está escuro. Meu perguntei por um momento se não estava em meu subconsciente, mas não havia sinal da Inner.
Caminhei até minhas pernas cansarem sem realmente chegar a algum lugar. Eu deveria estar morta. E sinceramente não consegui sentir nada de arrependimento ou tristeza pela o sacrifício que havia feito. Ouço o som de uma porta se abrindo em algum lugar antes de ve-la. Caminho até ela guiada pela luz que irradia de lá.
Assim que passo por ela, me deparo com a casa de meu clã. Tem um pequeno banco que eu não havia notado de baixo de uma das cerejeira. Mas não é isso que chama minha atenção. E sim o homem sentado ali de olhos fechados como se tivesse aproveitando a luz do sol que havia ali.
---Pai? ---chamo indo em sua direção.
Seus olhos verdes se abrem assim como um pequeno sorriso ao me ver.
----Sakura. --- comprimenta sem sair do seu lugar. --- Sentisse aqui comigo.
Faço o que ele pediu sem ter muita noção de como me portar diante das coisas que eu havia descoberto sobre ele.
----Sei que esta confusa. ---começa voltando seus olhos para o céu --- Mas ainda não é a hora para explicar minhas ações.
---Como assim?
----Você não deveria estar aqui. O que você fez não é natural para o ciclo de vida e morte.
Notei um leve tom de repreensão em sua voz.
----Eu fiz o que fiz com o intuito de salvar os últimos membros do clã Uchiha. --- tento me defender.
----Sakura... admiro muito a forma como você tem de querer cuidar dos problemas dos outros. Mas você precisa entender e aceitar que não pode interferir dessa forma na vida dos outros. Algumas coisas você tem que deixar acontecer por mais difícil que seja. O destino está traçado e não podemos intervir sem que prejudicamos o nosso.
----Como eu posso aceitar saber da verdade por trás de um passado tão doloroso e sofrido pela pessoa que amo e não fazer nada?
----Não é só do garoto Uchiha que estou falando. Você se pôs na frente de Naruto por diversas vezes para salva-lo mesmo sabendo que não teria chances contra o inimigo ou até mesmo contra o Demônio das nove caldas que ele abriga no próprio corpo... Sem contar em Haruki. Você nem o conhecia e se pôs na linha de frente para ajudar um completo estranho. Ele poderia ser um criminoso ou qualquer outro tipo de coisa.
---E bom você tocar no nome dele. --- digo acusadora.
----Eu sei exatamente dos meus erros para com seu irmão e por diversas vezes me atormentei por isso... Fui um covarde e aceitei minha morte quando está veio... Mas somos seres humanos e cometemos erros. Errei em nunca ter feito nada por ele e tentei por diversas vezes amenizar a culpa ao criar você.
Nunca em toda a minha vida tinha ouvido meu pai, que sempre fora muito alegre e brincalhão, falar tão sério como fazia agora. Suas palavras me faziam sentir uma garotinha sendo severamente repreendida por mal comportamento.
Ficamos em silêncio, eu absorta no que tinha acabado de ouvir. Me perguntei como minha mãe reagiria ao saber de meu falecimento. Não queria que ela ficasse sozinha e também tinha o Naruto. Como ele ficaria sem mim para o repreender por falar besteiras. E Sasuke. .. Esse sim eu não sabia como reagiria. Estava tão feliz pelos momentos que tivemos que nunca me perguntei se ele sentia o mesmo ou talvez algo parecido.
Devia estar se perguntando o porque de eu ter feito aquilo. Será que tinha conseguido matar Itachi? Perguntas que talvez eu nunca tivesse respostas.
---Você não morreu. .. ---Ergo meu rosto para meu pai com esperança ---... Ainda.
--- Então por que não consigo voltar?--- pergunto me pondo de pé e caminhando de um lado para o outro.
----Seus ferimentos são graves... Se ninguém a socorrer você ficará aqui para sempre.
Eu estava ferrada. Eu era a única entre Sai e Sasuke que sabia sobre ninjutso médico.
----O que a prende aqui é o Byakugou. ---revela ele.
Eu o havia ativado durante a queda.
----Como vou saber que morri? ---pergunto preocupada.
----Esse lugar sumirá. Você só está aqui por minha causa. Consegui abrir um brecha do outro lado para poder me encontrar com você.
A espera era agonizante. Para mim parecia ter se passado horas.
----O tempo não corre aqui como lá fora.--- diz ele despreocupadamente. ---Você pode estar inconsciente por minutos enquanto aqui se passou horas.
Ele mal havia acabado de falar quando eu senti o vento forte fazendo as folhas das árvores voarem.
----Parece que está acontecendo... --- diz ele mais para si mesmo do que para mim.
Sinto meu corpo ser sugado em meio às pétalas fazendo a paisagem assim como meu pai sumirem.
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Dor... E tudo o que consigo pensar diante do enorme machucado que era meu corpo. A escuridão ainda me consome, sinto um líquido escorrer pela minha garganta mas não consigo identificar o que é. Tento falar mais só sai gemidos doloridos.
----Ela está voltando.
Demoro para constatar que a voz era de Karin. O que ela fazia ali?
Outra onda de dor me atingi fazendo eu parar de pensar em qualquer outra coisa se não ela. Sinto o selo pulsar em minha testa. Avisando da regeneração de minha células e do tecido muscular.
Ainda ofegante percebo minha visão voltando aos poucos. A primeira que vejo é a cabeça vermelha de Karin curvada sobre mim.
----Karin? ---digo rouca pela falta de uso das cordas vocais.
----Você é louca. --- E tudo o que ela diz seguida de um sorriso.
Percebo a movimentação em minha volta. Tento mover minha cabeça o que torna doloroso.
---- Não se mova.
Obedeço ao comando daquela voz tão conhecida. Nossos olhos se cruzam quando ele paira sobre mim. A círculos escuros na volta de seus onix, assim como machucados em sua face não chamam tanto minha atenção quanto o alívio que vejo em seus olhos.
----Nunca mais faça uma coisas dessas. ---- diz ele sério.
Com a dor que sentia naquele momento com toda a certeza eu não voltaria a fazer aquilo.
