Capítulo 10, A promessa de mil anos.
Fim da parte 1.
"Abro a ti, meu coração. Do a ti, todo o meu corpo. Deseja-me, como desejo-te, então estarei a despir o meu corpo para lhe mostrar a mais bela poesia feminina." - Anabelle Jurado, 1815 Brasil, Para Daniel Reys, Portugal.
A garota acaba de escrever sua primeira carta para seu grande amor, que teve o dever de ir para outro país. Ela estava tímida e não sabia se deveria mesmo ter escrito. Reuniu toda sua coragem e então postou. Ela não sabia se receberia de volta outra carta, nem mesmo se ele receberia. O homem tinha lhe feito uma promessa, que voltaria para ela independente das hipóteses, guardou essas palavras em seu coração. No dia de postar a carta ela perfumou com seu perfume mais caro, e deixou uma marca de beijo.
Alguns meses se passam, ela já sem esperança e sem notícias de seu amor, recebe uma carta de Daniel, que vai correndo ao seu quarto e com um grande sorriso no rosto ela abre. A carta tem o seu cheiro, o perfume vagabundo que ele usava, que só ele usava.
"Anabelle, amor de minha vida, todas as estrelas mostrarão meu caminho pra ti. Desejo-te mais que tudo, e em nosso reencontro cantaremos as mais belas poesias de seu corpo, seu templo, sua alma." Daniel Reys, 1815, Portugal, para Anabelle Jurado, Brasil.
Tamanha era sua alegria, festejou a noite com sua adorada mãe com várias taças de vinho, então no dia seguinte ela chorou de saudade. Sentou-se em frente à sua penteadeira, olhou-se no espelho e viu o rosto jovem de uma bela mulher, uma mulher apaixonada. Aproveitou e pegou a sua pena e banhou em sua tinta para escrever a Daniel.
"Sinto saudades de seu beijo, de seu toque, mas nenhuma saudade carnal é comparada a saudade de sua presença e companheirismo. Espero-te feliz, espero-te ansiosa. Lembre-se de mim quando for a batalha e não morra, você fez-me uma promessa, cumpra-a. Te amo, que o calor de sua batalha não seja tão intenso quanto nosso amor."
Então novamente ela postou. Ficaram assim durante muitos meses e anos até que em um dia chuvoso Anabelle adoeceu. Ela se pôs a escrever sua última carta, que nunca fora postada. Já Daniel, do outro lado do Oceano Atlântico nunca entendeu por que nunca mais tinha recebido carta de Anabelle. Um ano após sem receber a carta, Daniel tinha sido dispensado do exército e então voltaria para casa. Ele estava tão ansioso, mas tinha medo dela ter encontrado outra pessoa, não acreditava nisso pela promessa que fizeram de sempre amar um ao outro.
Daniel chega ao Brasil em sua embarcação e vai correndo para sua antiga vila, antiga moradia procurando pelos familiares e amigos. Encontrou alguns deles, depois de cinco anos servindo em Portugal. Quando procurou por Anabelle, recebeu a pior notícia que poderia, o fez ficar sem chão. Ela tinha falecido, pouco depois de receber sua última carta. E seu ultimo pedido, foi para que ele lesse a carta quando chegasse ao Brasil.
Ele andou pelas ruas escuras e frias, sem rumo, apenas dando voltas. Não acreditava que seu amor tinha partido. Ele já tinha pego a carta, mas recusava a ler, era como se fosse a última coisa que ele teria dela, e quando acabasse de ler, não teria mais. Então ele guardou a carta, mas a curiosidade e tristeza quase o matou. Então em algum dia de 1820, ele sentou-se em uma rocha no topo da colina mais próxima, olhou para lua, sorriu e abriu a carta. A última carta de seu amor.
"Oi Daniel, sou eu novamente. Não tenho certeza se lerá isso, mas se ler, eu já terei morrido. Esta doença deixou-me deprimida, mas lembrar de ti me anima sempre, você é tudo para mim. Meu grande Amor, Daniel Reys..."
Ele sorriu enquanto as lágrimas desciam em seu rosto.
"... Há dez dias eu conheci um homem japonês contador de histórias. Vocês seriam companheiros se estivesse aqui. Ele me contou uma lenda antiga, sobre um fio vermelho que entrelaça duas almas. Certeza tenho eu que nossas almas estão entrelaçadas. Para todo o sempre. Neste momento eu estou tão fraca que mal aguento esta pena. Então, hoje eu faço uma promessa, nós iremos nos encontrar de novo! Exclamarei aos anjos da morte que tragam-me você. No conforto do paraíso celestial, ou nas chamas ardentes do inferno, também nos inquietos campos asfódelos, mas que me levem até você. Nos próximos mil anos, nos encontraremos sempre, do outro lado, ou aqui. Eu faço essa promessa. A promessa de mil anos. Você é meu para todo o sempre, assim como eu serei sua, Daniel Reys. Eu te..."
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Presságio de Morte
RomanceDaniel morreu nos anos 90 em um acidente com seus amigos. Porém, havia alguma coisa estranha, quando se viu com seus amigos, em um plano talvez espiritual no qual não conseguia compreender direito, percebeu que cada um deles estavam acompanhados por...
