Capítulo 29

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Capítulo 29


*Algumas horas antes*

Karen finalmente conseguia se sentir melhor, mesmo após literalmente ser baleada na noite anterior. Ela sabia que era uma pessoa forte e resistente. A Van de Carlos tinha cheiro de erva, o que não a surpreendia, já que ele tragava de vez em quando. 

Ele dirigia calmamente e parecia ser alguém confiante, passou a maior parte do tempo falando sobre o "Danlua" e cantando músicas que não a agradava, mas nem ligava, até por que o carro não era dela. Tudo que ela queria ver era a moto dela. A saudade que ela sentia era indescritível. Foi basicamente a unica companheira que teve durante um ano, quase como uma casa para ela.

Alguns minutos depois eles chegam no hotel que ela tinha se hospedado alguns dias antes e a moto dela ainda estava lá no estacionamento. Ela desce rapidamente da Van e corre até a moto a abraçando e a beijando.

— Estava com saudades — ela diz.

Carlos de vê de longe e sorri. 

Ele caminha até a direção dela e ambos vão para o quarto dela, já que ela queria mostrar algumas coisas, pois estava empolgada e estava confiante que Daniel e Angellina já estivessem a salvo e sem problemas. Foi o que ela achou.

Ela mostrou seu notebook, como fez para encontrar Daniel, hackeando e descobrindo diversos Superiores, Carlos ficou impressionado como ela não tinha visto ele antes. Ela era mesmo muito bom com a tecnologia. Nem mesmo ele sabia direito sobre tudo isso, mesmo tendo quase uma aula completa com o Criador dele.

Carlos ressentia muito, mas ele no fundo tinha raiva de Daniel, raiva que antes era amor. Depois do que Max tinha falado pra ele alguns dias antes, ele conseguiu se lembrar de diversas vezes que conseguiu contar que Daniel tratou ele como lixo, ou só usou ele pra se aproveitar e aproximar de Ana. Era injusto, injusto para ele.

Ele guardou esse amor durante todos esses anos, aguentando todas as vezes que ele era usado. Então tudo veio a tona junto com a raiva inexplicável. Ele faria Daniel sentir como ele se sentiu, um lixo não podendo proteger quem ele amava.

— Você é uma maga da computação hein! — Carlos elogia.

Ela sorri e joga a mecha para o lado e então volta a mexer no computador. Carlos se levanta e pega escondido a glock, fala bem baixinho: "me desculpa" E em seguida dá uma coronhada em Karen fazendo ela desmaiar. Ela sendo do jeito que ela era, esperta e ágil, poderia atrapalhar os planos dele. Foi o que pensou.

Então ele sai pela porta do quarto e a tranca.

Um tempo depois ela acorda com a cabeça doendo e xingando Carlos de todas as formas. Ela olha para a cama e tava bagunçada, todas as armas de choque dela sumiu junto com os aparelhos eletrônicos. Ela foi até a porta e estava trancada pelo lado de fora, a única janela que o quarto tinha era protegido por grades de proteção. Ela já sabia o que aquilo tudo significava, Carlos tinha escolhido um lado e não era o de Daniel. 

Ela prende o cabelo e procura pelo quarto e pelo banheiro qualquer coisa que possa ajudá-la sair de lá, mas não tinha nada. Ela tenta gritar mas o quarto ficava distante e não tinha ninguém naquele hotel, mesmo sendo um de beira de estrada. Só restava-lhe tentar arrombar a porta. Ela pegou distância e se chocou contra porta algumas vezes até o ombro começar a doer. Não tinha como, estava presa ali. 

Se passou alguns minutos e ela já nem sabia que horas eram, se já tinha passado o dia ou se ainda faltava. A falta de informação estava matando ela. Ela começou a ficar ofegante e as mãos começaram a tremer, não queria que nada acontecesse a Daniel, e sem contar que ele já lutou bastante. Sabia que mais cedo no mesmo dia ele tinha salvo ela, descendo do segundo andar com ela desacordada. Ela achava que deveria protegê-lo, como não conseguiu no ano anterior. E ele nem sequer se lembrava dela, mas esperava que um dia ele se lembrasse.

Presságio de MorteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora