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Kiara

Meu único passatempo no momento era lavar o cais com a mangueira, enquanto Pope colocava caixas com alguns produtos no barco a frente. Não havia absolutamente mais nada para fazer.

Eu estava explodindo por ter que ficar no celular e ver apenas duas coisas:

Mensagens dos meus pais me mandando ir para casa, vendo-os surtar dizendo o quanto eu era irresponsável por ter ido a praia ontem a noite, e minhas centenas de ligações e mensagens enviadas para JJ, que nem sequer havia vizualizado.

Tirei o aparelho do bolso, para checar mais uma vez se não havia ganhado retorno do garoto, e, nada. Bufei o xingando mentalmente por me fazer passar por esse sufoco.

- Sem resposta? - Pope se aproxima esfregando as mãos um pouco sujas pelas caixas empoeiradas.

Balancei a cabeça em negação e guardei o celular no bolso.

- Aí, você tá muito tensa. Tenta pensar em outra coisa, se distraír. - Ele deu de ombros, e eu concordei com a cabeça. - Ele vai aparecer alguma hora.

Continuei fazendo a tarefa de antes, mas assim que meu celular tocou, pulei quando  a musica baixa chegou ao meu ouvido. Peguei apressadamente do meu bolso, nem mesmo li o nome no visor e atendi aliviada.

- JJ? - Perguntei, e um minuto de silêncio se instalou.

- JJ? Como assim JJ, Kiara? - A voz da minha mãe soa irritada. Meu alívio vai embora e eu reviro os olhos.

- Oi, mãe. - Digo sem animação nenhuma. - O que você quer?

- Que você responda minhas mensagens e atenda as ligações! Eu sei que está no cais, e está desrespeitando as regras que seu pai estabeleceu! Você não tem juízo?! Sabe o quanto ficar dando passeios na ilha com seus amiguinhos pogues é perigoso?

Bufei.

- Olha só, mãe. Meu dia já está sendo ruim. Então não vou brigar com você, só deixar algumas coisas claras. Primeiro: Eu tenho noção do que eu faço, não precisa me chamar de irresponsável toda hora! As pessoas de quem você tanto fala mal são meus amigos! E segundo: Pare de tratar pogues como se não fossem seres humanos! Esqueceu que já foi uma?!

Depois de tirar o peso das minhas costas cuspindo todas essas palavras ao telefone, minha mãe fica muda do outro lado da linha. Eu suspiro e balanço a cabeça.

- Ótimo. Não me esperem pro jantar. Beijinhos. - Finalizei e desliguei o telefone sem ouvir a resposta.

Guardei pela milésima vez no dia o aparelho no bolso. Coloquei uma mecha do meu cabelo para trás da orelha e levantei a cabeça, vendo Pope me encarar.

- Era sua mãe mesmo? - Balancei a cabeça positivamente e ele ergueu as sobrancelhas  surpreso. - Coragem falar assim com a fera.

Rio com o apelido que eu mesma chamava minha mãe quando conversava com os garotos.

- Meu pai e ela estão me dando nos nervos. Acham que os pogues são culpados pelo assassinato da Peterkin. - Revirei os olhos, concentrada em lavar completamente cada madeira do cais com a água da mangueira. - Mal sabem eles que o assassino é um Kook.

Ele concordou e suspirou, voltando ao seu trabalho em seguida.

...

Agora eu me encontrava apoiada no pilar do cais, observando os barcos na água e sentindo o vento tomar conta de mim, bagunçando os cachos do meu cabelo e me dando um frio na barriga.  Era um fim de tarde, e ver o pôr do sol aqui é lindo. Pope chegou ao meu lado.

- Nenhum sinal?

- Nenhum sinal. - Afirmei.

- Uh, eu tenho que terminar algumas coisas pro meu pai. Mas daqui a pouco podemos ir a praia, ver se ele não está lá. Ok?  - Balancei a cabeça e sorri sem ânimo. - Me espera aqui, não vou demorar.

Ele sorriu fraco e saiu, logo eu o perdi de vista. Me encolhi, tentando esquentar meu próprio corpo.

Senti meu celular vibrar no bolso, mas demorei segundos para pegá-lo.  Estava desacreditada, então pensei que seria apenas mais uma mensagem frustrante dos meus pais. Quando vi o nome no visor, arregalei meu olhos e engoli em seco.


JJ✌

JJ✌:
kie
Ele descobriu.




Curtinho, desculpa.
Daqui a pouco posto mais.

Kisses, moon.

sunset × JJ & KiaraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora